{"id":157,"date":"2014-04-06T19:19:00","date_gmt":"2014-04-06T19:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=157"},"modified":"2014-04-06T19:19:00","modified_gmt":"2014-04-06T19:19:00","slug":"entre-fernandes-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=157","title":{"rendered":"Entre Fernandes &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/conselhos-para-tirar-manchas-do-tapete_0.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-158\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/conselhos-para-tirar-manchas-do-tapete_0.jpg?w=300\" alt=\"Conselhos-para-tirar-manchas-do-tapete_0\" width=\"300\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Postado no RLS em 20\/02\/11<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:right;\">\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\nO sol j\u00e1 seguia seu rumo em dire\u00e7\u00e3o ao crep\u00fasculo. Era o an\u00fancio de que, logo mais, todos partiriam.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O calor da fabrica de vidros fazia o mau humor do quase ind\u00edgena, Henrique Fernandes, saltear dos nervos dele e tomar ali mesmo, uma forma viva. Os pingos de suor caminhavam pela enorme e cicatrizada testa do mo\u00e7oilo, j\u00e1 mal visto por todos os oper\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os olhares de raiva e repugn\u00e2ncia que lhe eram lan\u00e7ados durante todo o per\u00edodo de trabalho, recebiam em troca o reflexo deles pr\u00f3prios com uma intensidade muito maior. Mas este olhar multi-expressivo sempre parava diante de outro \u00e0 sua altura que pertencia a certa loira tingida, que diferente de Henrique &#8211; que dava o acabamento nas pe\u00e7as de vidros \u2013 trabalhava na limpeza da sala do gerente daquele setor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ela, por vezes, s\u00f3 de implic\u00e2ncia, passava naquela parte leste do setor de acabamentos trajando um uniforme j\u00e1 amarelo de t\u00e3o encardido, apenas com a esperan\u00e7a de tirar a paci\u00eancia de Henrique. Que como uma lesma de t\u00e3o lento em racioc\u00ednio, sempre demonstrava o seu abuso ao ver a garota passar e seus colegas de trabalho come\u00e7ar a critic\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nos momentos de sa\u00edda, como este agora, os dois eram vistos juntos na mais descarada falsidade na rela\u00e7\u00e3o afetiva de primos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os espectadores de esquina, que acompanhavam a saga dos sobrinhos de Dona Adelaide Fernandes, a benzedeira do bairro, ficavam incr\u00e9dulos quando viam os dois sa\u00edrem da fabrica juntos na maior normalidade, pararem no sorveteiro e comprarem dois m\u00edseros picol\u00e9s de saco e seguirem para casa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\nHenrique caminhou silencioso por entre os corredores de arm\u00e1rios, onde os oper\u00e1rios deixavam seus pertences, tentando segurar a raiva possessa que mais parecia uma fogueira esquentando sua cabe\u00e7a e que bombeava com mais pressa o seu sangue. N\u00e3o poderia mandar todos ali para o lugar merecido. Defendia com garras de le\u00e3o o emprego t\u00e3o sacrificante. Mesmo que ele servisse apenas para garantir o teto da casa de sua tia, morando com sua prima, mas era o que ele tinha e podia ter.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tracejou o caminho de sempre na dire\u00e7\u00e3o do port\u00e3o de sa\u00edda da fabrica. Onde um corpo um tanto torto o esperava impaciente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sirlene Fernandes, filha de uma prostituta que havia fugido de uma mulher tra\u00edda pelo marido, e a primeira menina que Henrique fez mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; Boa tarde&#8230; Priminho \u2013 disse Sirlene, ir\u00f4nica como sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Olhando para os lados, verificando a solid\u00e3o dos dois, Henrique murmurou:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; Guarde sua cortesia para aqueles que d\u00e3o import\u00e2ncia a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os cabelos maltratados, pelo excesso de tinta \u00e0 base de formol, flutuavam na frente dos olhos firmes e irritados da mo\u00e7a, como uma cortina levada pela brisa de ver\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Alguma coisa naquele olhar fez Henrique voltar a quinze dias antecedentes. Exatamente no dia em que, como o povo dizia, estuprara a pr\u00f3pria prima.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\nChegara mais cedo em casa, a tia estava na cidade vizinha em busca da irm\u00e3 que se descobrira prostituta depois de anos de conviv\u00eancia. Junto com esta \u201cnovidade\u201d ainda lhe veio uma amea\u00e7a: a mulher do a\u00e7ougueiro, a qual foi tra\u00edda afiava a cada dia suas facas, para que qualquer uma servisse no dia em que reencontrasse a mulher que desgra\u00e7ara a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A prima sa\u00edra para trabalhar e apenas sairia de l\u00e1 dali a duas ou tr\u00eas horas. Viu-se sozinho em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Banhou-se e por estar em total liberdade n\u00e3o viu raz\u00e3o de se vestir. Ficou ali&#8230; Caminhando despido por toda a casa. Gostava da liberdade e do anarquismo por mais que pudesse desfrut\u00e1-los por poucos momentos. Foi ao bar da casa e abriu uma das garrafas do vinho envelhecido que a tia mantinha. Em apenas uma hora, duas das garrafas j\u00e1 estavam vazias. Henrique se encontrava deitado no sof\u00e1, j\u00e1 b\u00eabado e falando ao telefone.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Falava alto, por vezes apareceu na porta do terra\u00e7o, com a consci\u00eancia completamente alterada. E continuava beber vinho, j\u00e1 n\u00e3o se importava com sua nudez. Sua imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil o levou \u00e0 Manaus. Sentiu-se um daqueles macacos que n\u00e3o tinha vergonha de nada. Idiota como era, imitou ridiculamente os tais macacos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o se importou mais com a hora e, conseq\u00fcentemente, sua prima chegou e o encontrou deitado no sof\u00e1. Ambos se encararam mudos. Lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia em que ambos se banhavam no mesmo espa\u00e7o, e a inoc\u00eancia n\u00e3o abria vaga para indec\u00eancia lhes flagrou a mente. Ele tapou o sexo com uma almofada e ela fez men\u00e7\u00e3o de sair da casa correndo. Contudo, por mais b\u00eabado que estivesse Henrique, ele era \u00e1gil e conseguiu segurar a menina nos seus bra\u00e7os a tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ela estava tremula. Estava nos bra\u00e7os de um homem que j\u00e1 participava h\u00e1 algum tempo de seus sonhos e desejos mais incestuosos e cheios de lux\u00faria, t\u00edpico de uma garota naquela idade, filha de quem era.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O primo pedia desculpas e para que ela se acalmasse, sem no\u00e7\u00e3o de que estava ro\u00e7ando seu corpo no corpo da menina. Ela n\u00e3o se conteve, estava deprimida por conta da m\u00e3e, e desejava aquele homem. Bruta como um cavalo o beijou. Por instinto e excesso de \u00e1lcool, Henrique se excitou, ficando r\u00edgido. Em meio \u00e0 brutalidade selvagem que eles compartilhavam ali, ele rasgou as roupas da prima, ela queria ser domada como um animal desafiador. Juntos descobriam pouco a pouco o corpo do outro, ela descobria como era boa a sensa\u00e7\u00e3o de beij\u00e1-lo, sentir a barba dele lhe fazendo c\u00f3cegas na face. Ele descobria a excita\u00e7\u00e3o que um corpo virgem e nu lhe proporcionava.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como conseq\u00fc\u00eancia dos minutos seguintes \u00e0s caricias excitantes e cada vez mais desejadas o tapete da sala ganhou uma mancha. O sangue do selo da virgindade de Sirlene havia escorrido por ela. Os jovens satisfeitos da experi\u00eancia que tiveram sentiam-se particularmente superiores. Ela tinha perdido sua honra com um homem que agora podia amar, ele tinha honrado a sua sexualidade potente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A porta se abriu, passos e gritos ecoaram pela casa. A tia de ambos chegara com suas amigas beatas e viram a cena. Sirlene de t\u00e3o desesperada que ficou, correu para o quarto e l\u00e1 se trancou.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No dia seguinte os boatos que mais se ouviam eram sobre o estupro. Ningu\u00e9m se incomodou de denunciar Henrique, ele havia de ser linchado por seus pr\u00f3prios amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tia por todos os problemas que j\u00e1 passava, tentou for\u00e7\u00e1-los ao casamento. Mas agora, n\u00e3o conseguiam olhar um na face do outro sem que se repudiassem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ela por dizer que foi usada e por agora ser comparada com a m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele por se dizer seduzido e ter ganhado uma m\u00e1 fama terr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas agora ali naquele momento, na presente e n\u00e3o nas lembran\u00e7as malucas que o tempo lhe presenteou. Henrique se viu do nada rodeado por uns sete a oito brutamontes, todos armados com peda\u00e7os de madeira, corrente e barras de ferro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em um movimento, o oper\u00e1rio da fabrica de vidros estava no ch\u00e3o apanhando. Meia hora depois foi deixado ali no ch\u00e3o, pensando que fosse morrer e querendo viver para mais uma vez, s\u00f3 por vingan\u00e7a fazer o que fez mais brutalmente com sua prima.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:justify;\">Luan Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postado no RLS em 20\/02\/11 (&#8230;) O sol j\u00e1 seguia seu rumo em dire\u00e7\u00e3o ao crep\u00fasculo. Era o an\u00fancio de que, logo mais, todos partiriam. O calor da fabrica de vidros fazia o mau humor do quase ind\u00edgena, Henrique Fernandes, saltear dos nervos dele e tomar ali mesmo, uma forma viva. 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