{"id":160,"date":"2014-04-06T19:32:24","date_gmt":"2014-04-06T19:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=160"},"modified":"2014-04-06T19:32:24","modified_gmt":"2014-04-06T19:32:24","slug":"bendita-maldicao-maldita-bencao-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=160","title":{"rendered":"Bendita Maldi\u00e7\u00e3o, Maldita Ben\u00e7\u00e3o &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/digitalizar0007.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-161 aligncenter\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/digitalizar0007.jpg?w=300\" alt=\"IGREJA DO ROS\u00c1RIO e O SOLAR DOS NEVES - S\u00c3O JO\u00c3O DEL REI - MG\" width=\"300\" height=\"198\" \/><\/a><\/p>\n<h6>\u00a0<em>Sem d\u00favidas este \u00e9 um dos meus contos favoritos &#8211; e ambiciosos &#8211; que pude escrever.\u00a0<\/em><em>Foi uma quebra de paradigmas utilizar a\u00a0incoer\u00eancia\u00a0do texto para\u00a0comp\u00f4-lo.\u00a0<\/em><em>A presen\u00e7a do meu primeiro poema, &#8220;Pureza&#8221;, nele , o deixa mais especial. \u00a0<\/em><em>At\u00e9 hoje ele me perturba e me deixa entorpecido. O amo!<\/em><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p style=\"text-align:right;\">06\/07\/2009<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os turbilh\u00f5es de pessoas passavam por n\u00f3s com suas pressas, dores, amores e cores expressos no olhar. Sentados na cal\u00e7ada da velha igreja em um sil\u00eancio m\u00f3rbido em que cada um tentava ouvir seu pr\u00f3prio pensamento, ouvir a voz da raz\u00e3o; a luz divina. T\u00ednhamos um \u00f3bvio medo de ouvir a voz do cora\u00e7\u00e3o, sab\u00edamos o que ela diria, sab\u00edamos o que ela causaria. \u00c9&#8230; N\u00f3s sab\u00edamos.<br \/>\nUma mulher, uma dessas peruas puritanas, passou por n\u00f3s nos dando \u201cBom Dia\u201d, com certeza confessaria os pecados do m\u00eas, iria apertar a tecla \u201crestart\u201d e ter sua cota de pecados zerada novamente. N\u00e3o precisei olhar para Franz pra saber que ele olhava pra mim, nem precisei olhar nos olhos dele para saber o que ele queria me dizer com seus olhos chorosos.<br \/>\n&#8211; Isto n\u00e3o est\u00e1 certo. \u2013 que voz irritante a dele!<br \/>\n&#8211; O que voc\u00ea quer que eu fa\u00e7a? \u2013 Me virei com os olhos cheios de ira, assim como a minha voz. Inconscientemente comecei a calcular se eu demonstrara demais a minha irrita\u00e7\u00e3o, se ter agido assim o afastaria novamente.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea sabe o que temos de fazer&#8230;<br \/>\n&#8211; E voc\u00ea sabe que eu n\u00e3o posso fazer isso. N\u00e3o aqui.<br \/>\n&#8211; Ele \u00e9 seu tio, mas antes disso \u00e9 um padre. N\u00e3o vai poder comentar com ningu\u00e9m o que voc\u00ea falou pra ele.<br \/>\n&#8211; Sim, disso eu sei. No entanto, ele vai ficar no meu p\u00e9, vai achar v\u00e1rios meios de empregar sua f\u00e9 em mim.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea fala como se n\u00e3o fosse cat\u00f3lico.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o come\u00e7a de novo&#8230;<br \/>\nEle se calou. Eu ponderei se deveria ou n\u00e3o falar do medo que eu sentia: o medo da conseq\u00fc\u00eancia de ir me confessar naquela igreja est\u00fapida \u2013 ainda bem que ele n\u00e3o ouve meus pensamentos!<br \/>\nVoltei por um segundo a observar as pessoas, tentei trazer de dentro de mim a voz despreocupada, tentei formular uma frase que n\u00e3o expressasse medo, nem tanta preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; E voc\u00ea sabe que isso vai nos afastar.<br \/>\n&#8211; O que \u00e9 bom.<br \/>\nIDIOTA! Minha c\u00f3lera de raiva estava esmagando meu est\u00f4mago. Precisei de um segundo segurando a respira\u00e7\u00e3o para conter um grito; precisei limpar o canto dos olhos pra n\u00e3o demonstrar a ele minhas l\u00e1grimas.<br \/>\n&#8211; Se \u00e9 o que voc\u00ea quer, porque ainda est\u00e1 aqui? Por que n\u00e3o evita me ver? Por que ainda me procura?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea semeou o pecado em mim. N\u00e3o consigo me afastar de voc\u00ea. Estou tentando arrancar este mal pela raiz, mas n\u00e3o consigo.<br \/>\nChega! S\u00f3 me faltava essa para minha paci\u00eancia ir pro espa\u00e7o. Levantei-me e nem olhei para a cara dele. Peguei minha mochila e comecei a andar junto \u00e0s pessoas. Foi como entrar num rio e ser levado pelo fluxo da \u00e1gua quando estamos tentando ir para o lado contr\u00e1rio \u00e0 correnteza. Foi f\u00e1cil citar esse exemplo. Nos \u00faltimos dias os meus pensamentos e eu trav\u00e1vamos esta luta sem fim.<br \/>\nComo pude me apaixonar por algu\u00e9m t\u00e3o idiota? T\u00e3o imbecil a ponto de por a culpa apenas em mim de algo que ele ajudou a come\u00e7ar. Nada teria acontecido se ele n\u00e3o tivesse me olhado daquele jeito. Nada teria acontecido se ele n\u00e3o tivesse vindo quando o chamei para o jardim dos fundos. Nada teria acontecido se quando o abracei ele tivesse me empurrado e n\u00e3o me dado aquele beijo ardente.<br \/>\nEle ainda acha que eu sou um dem\u00f4nio que est\u00e1 tentando ele! \u00c9 isso que ele quer dizer sempre! Por isso que quer sempre que eu v\u00e1 \u00e0quela maldita igreja, por isso que quer que eu me confesse. Eu queria que ele, a f\u00e9 e os dogmas dele junto com aquela igreja fossem todos pro inferno!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As m\u00e3os dele seguraram a manga da minha farda e me puxaram para o beco de onde ele tinha emergido.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o foge assim de mim!<br \/>\nEle olhava pra mim com os olhos temerosos, um pouco inchados. \u2013 Ser\u00e1 que ele andou chorando? \u2013 Com brutalidade me arrastou pela parede do pequeno pr\u00e9dio e me imprensou no espa\u00e7o entre umas vigas. Ali est\u00e1vamos escondidos. Se algu\u00e9m olhasse para o beco veria apenas algumas partes do meu corpo tateando e se esfregando ao corpo dele. Ningu\u00e9m distinguiria o meu rosto, pois estava coberto pelo rosto dele enquanto ele me beijava.<br \/>\n&#8211; O que voc\u00ea quer de mim? \u2013 Perguntei enquanto cheirava o seu pesco\u00e7o e o via ofegar de paix\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o sei, Luis&#8230; Me desculpa por n\u00e3o saber?<br \/>\n\u00c9 claro que eu o desculpava! O beijei para lhe dizer isso de forma n\u00e3o verbal. Nossas palavras sempre atrapalhavam tudo. No sil\u00eancio, na entrega n\u00f3s \u00e9ramos plenos e viv\u00edamos a harmonia do ritmo dos nossos cora\u00e7\u00f5es, apenas no sil\u00eancio.<br \/>\n&#8211; Vamos, ou algu\u00e9m vai nos ver&#8230; \u2013 ele se afastou.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o d\u00e1 pra ver!<br \/>\n&#8211; Claro que d\u00e1 pra nos ver.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o d\u00e1 pra ver quem voc\u00ea est\u00e1 beijando, Franz.<br \/>\n&#8211; Mesmo assim, vai que algu\u00e9m percebe que voc\u00ea \u00e9&#8230;<br \/>\n&#8211; Que eu sou homem!<br \/>\nEmpurrei o corpo dele e andei pelo beco saindo em outra rua, onde n\u00e3o havia um fluxo t\u00e3o grande de pessoas como a outra. Ele me seguiu novamente, correu at\u00e9 me alcan\u00e7ar e andar do meu lado.<br \/>\n&#8211; Vai mais devagar&#8230;<br \/>\n&#8211; Tenho que colocar minha raiva pra fora de algum jeito.<br \/>\n&#8211; E andar ajuda?<br \/>\n&#8211; Ajuda&#8230; J\u00e1 que n\u00e3o posso te bater, ajuda.<br \/>\n&#8211; Por que n\u00e3o pode me bater? \u2013 disse ele com seu ar de brincalh\u00e3o, achando gra\u00e7a das minhas atitudes.<br \/>\n&#8211; Porque n\u00e3o quero aumentar a minha lista de pecados.<br \/>\nEnquanto abria porta da biblioteca e entrei, fiz quest\u00e3o de olhar para o rosto dele e ver as fei\u00e7\u00f5es divertidas e luminosas se tornarem s\u00e9rias e obscuras.<br \/>\n&#8211; Por que voc\u00ea sempre tem de fazer isso, hein?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o sei&#8230; Acho que \u00e9 porque voc\u00ea sempre come\u00e7a.<br \/>\n&#8211; Droga! Voc\u00ea sabe que se algu\u00e9m nos vir juntos daquele jeito \u00e9 o fim.<br \/>\n&#8211; Tamb\u00e9m sei que confessar isso ao meu tio vai dar no mesmo.<br \/>\n&#8211; Mas ao menos \u00e9 uma maneira menos dolorosa e digna de um crist\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Vai se ferrar! Se voc\u00ea quer que isso acabe mesmo basta n\u00e3o olhar nunca mais pra minha cara.<br \/>\n&#8211; Shhhhhh! \u2013 a bibliotec\u00e1ria odiava quando \u00edamos \u00e1 biblioteca. Nunca faz\u00edamos sil\u00eancio. Sempre discut\u00edamos. Se n\u00e3o fosse por n\u00f3s era por conta de algum texto, de alguma discord\u00e2ncia, mas sempre sa\u00edamos, ou entr\u00e1vamos ali brigados.<br \/>\nProcuramos uma sess\u00e3o desabitada. J\u00e1 sab\u00edamos que a parte de guias tur\u00edsticos estava sempre vazia. Ningu\u00e9m iria ler aquelas antiguidades! Assim como as sess\u00f5es de pe\u00e7as de teatro, magia, esoterismo e outras sess\u00f5es que nunca olhamos de que eram realmente.<br \/>\nAchamos uma dessas e sentamos um do lado do outro. Ambos em sil\u00eancio e de caras emburradas. Depois de um tempo olhando a poeira nos livros, ele segurou a minha m\u00e3o e come\u00e7ou a acarici\u00e1-la.<br \/>\n&#8211; Quando a gente vai parar de discutir?<br \/>\n&#8211; Quando nos separarmos. Seja porque meu tio me mandou pra China ap\u00f3s eu terminar minha confiss\u00e3o, ou Dona Maria da padaria ter nos vistos no beco, reconhecido meu bra\u00e7o e dito aos sete ventos que nos viu juntos \u2013 amei dizer isso, a velocidade da resposta e meus olhos vazios s\u00f3 ajudaram a tocar mais fundo na ferida dele.<br \/>\n&#8211; Est\u00e1 vendo? \u2013 ele tirou a m\u00e3o quente da minha \u2013 Voc\u00ea sempre tem que falar algo assim.<br \/>\n&#8211; E o que mais eu vou falar?<br \/>\n&#8211; Que me ama, que me quer, que me deseja \u2013 ele sorria pra mim com a cabe\u00e7a pendida para o lado, os seus olhos buscando os meus.<br \/>\n&#8211; Pra que? Pra voc\u00ea quando chegar em casa pedir \u00e0 Nossa Senhora do Livro Empoeirado pra afastar de voc\u00ea o dem\u00f4nio tentador que eu sou.<br \/>\n&#8211; Luis! Quer parar com isso? J\u00e1 est\u00e1 ficando chato e repetitivo voc\u00ea falar essas coisas. Eu n\u00e3o acho isso de voc\u00ea.<br \/>\n&#8211; Mas age como se achasse! Voc\u00ea nega, mas sabe que \u00e9 verdade.<br \/>\nEle se calou, cumprindo o velho ditado. Vendo a tentativa dele em achar uma desculpa agarrei-o. Ele me rodeou com seus bra\u00e7os, fiquei ali esfregando meu rosto no peito dele. Alguns segundos depois est\u00e1vamos nos amando novamente com a mesma paix\u00e3o, mesmo desejo que nos tomou no nosso segundo encontro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A igreja estava lotada, parecia que toda cidade estava ali. Era o que acontecia quando uma pessoa muito querida morria: o vel\u00f3rio era cheio de gente, o enterro ainda mais. Tenho de admitir que eu n\u00e3o respeitei nenhum pouco a morte do meu av\u00f4. Apena senti necessidade de mergulhar no corpo do garoto dos olhos de \u00e2mbar \u2013 n\u00e3o hav\u00edamos trocado os nomes \u2013, necessitava beijar a boca dele de novo.<br \/>\nQuando o vi agarrado de m\u00e3os dadas com aquela garota linda, com o vestido mais belo e o sorriso mais encantador daquela cidade, eu me vi tomado pela primeira c\u00f3lera de raiva. Fiz quest\u00e3o de mostrar a ele que o vira e que percebera a alian\u00e7a dele fazendo par com a alian\u00e7a dela. Fui ao banheiro dos fundos da igreja, lavar o meu rosto e tentar tirar aquela cena da cabe\u00e7a. Assim que fechei a porta do banheiro, ela se abriu novamente e ele entrou. Trancou a porta para que ningu\u00e9m mais entrasse, me agarrou e sem dizer nenhuma palavra e transou comigo no banheiro da igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; Como vai Amelie? &#8211; ele abotoava a cal\u00e7a e tentava se recuperar do prazer extremo que acabara de sentir.<br \/>\n&#8211; Vai bem.<br \/>\n&#8211; Voc\u00eas tem se curtido muito? \u2013 eu ainda estava ao ch\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Nem tanto quanto antes.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea consegue fazer amor com ela como faz comigo?<br \/>\n&#8211; Luis&#8230; Depois n\u00e3o venha dizer que sou eu quem puxa os assuntos chatos.<br \/>\n&#8211; Desculpe&#8230; Apenas quis saber como est\u00e1 a pessoa que tem seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Ela n\u00e3o tem.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o? Ent\u00e3o porque vai casar com ela? Uma pessoa s\u00f3 fica noiva da outra quando ama.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea tamb\u00e9m tinha uma noiva!<br \/>\n&#8211; Exato! Tinha! N\u00e3o tenho mais porque n\u00e3o a amo&#8230; Mas voc\u00ea&#8230;<br \/>\n&#8211; Eu, o qu\u00ea?!<br \/>\nEle se calou, apenas ficou olhando para mim. Voltei a colocar a minha camisa por dentro da cal\u00e7a.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o espera que eu seja o seu amante, n\u00e3o \u00e9? \u2013 tornei a falar.<br \/>\n&#8211; Sinceramente&#8230; N\u00e3o espero, n\u00e3o. Eu sei que vai.<br \/>\n&#8211; Deus me livre, Com Amelie at\u00e9 que eu seria. Mas sei que falta pouco pra voc\u00ea decidir virar padre e se casar com Jesus. E com ele eu n\u00e3o brinco.<br \/>\n&#8211; V\u00e1 se ferrar \u2013 ele come\u00e7ou a gargalhar em sil\u00eancio.<br \/>\n&#8211; Posso ser o padrinho do casamento?<br \/>\n&#8211; Luis, se esse assunto incomoda algu\u00e9m, esse algu\u00e9m \u00e9 voc\u00ea, que morre de ci\u00fames de mim.<br \/>\n&#8211; Ora querido, n\u00e3o esque\u00e7a que eu ainda sou solteiro.<br \/>\n&#8211; E voc\u00ea n\u00e3o esque\u00e7a que \u00e9 a minha \u00fanica divers\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um bloco de gelo me cobriu por inteiro. N\u00e3o lembro bem o que eu estava fazendo, a palavra \u201cdivers\u00e3o\u201d tomou a minha mente completamente. Acho que meu c\u00e9rebro inteiro se preocupou com a palavra ecoando em meus ouvidos, pois meu corpo ficou petrificado e at\u00e9 esquecer de respirar, eu esqueci.<br \/>\nA grande sorte \u00e9 que ele percebeu a merda que fez e logo tentou corrigi-la.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o foi bem isso que eu quis dizer.<br \/>\n&#8211; Mas como sempre foi o que disse \u2013 eu retruquei<br \/>\n&#8211; Desculpas. Mas&#8230; Ah! Quer saber&#8230; N\u00e3o venha dar uma de santo. Voc\u00ea fala coisas bem piores!<br \/>\n&#8211; Pior que dizer que isso \u00e9 apenas divers\u00e3o? Nossa! Acho que estou com amn\u00e9sia, pode lembrar algo que eu tenha falado pior que isso?<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nN\u00e3o havia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Divers\u00e3o. Quando o S\u00e3o Jo\u00e3o chegou, para toda cidade n\u00f3s j\u00e1 \u00e9ramos os mais fi\u00e9is amigos. Nossas fam\u00edlias adoravam a nossa camaradagem e a responsabilidade que esbanj\u00e1vamos. Assim como obviamente n\u00e3o desconfiavam nem um pouco de nossa rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRela\u00e7\u00e3o complicada, indefinida, de momentos intensos, de pequenos momentos, de tempos em tempos. Uma rela\u00e7\u00e3o estranha. Acima disso, de algum modo n\u00f3s dois evit\u00e1vamos lembrar a exist\u00eancia das noivas e posteriormente das mulheres galanteadas.<br \/>\nEu h\u00e1 alguns dias tentei acabar o noivado da maneira que me cabia: desfazer o pedido. Nem meu sogro, nem meu pai e muito menos Ligia gostaram da id\u00e9ia. Pediram-me uma raz\u00e3o. Na ponta da l\u00edngua veio a resposta: \u201cestou apaixonado pelo meu melhor amigo\u201d. Mas apenas saiu alguma frase que dizia que eu queria me divertir, vagabundear e n\u00e3o me prender a um casamento.<br \/>\nAcho que ter dito sobre estar apaixonado por Franz traria menos conseq\u00fc\u00eancias do que ter dito aquilo. A boa reputa\u00e7\u00e3o que eu tinha diante dos meus sogros foi por \u00e1gua abaixo. Para eles sua filha seria entregue nas m\u00e3os de um homem de vida desonrosa e profana. O que foi suficiente para o fim do noivado.<br \/>\nO bom da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos me aproximaram ainda mais de Franz. Para eles Franz me levaria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, me tiraria da suposta vida de putaria, me faria algu\u00e9m melhor, seria o meu Cristo Salvador.<br \/>\nAparentemente foi. No entanto, enquanto para nossas fam\u00edlias e noiva dele n\u00f3s est\u00e1vamos jogando longe das festas juninas e qualquer coisa relacionada a vagabundos e mulheres, n\u00f3s est\u00e1vamos em algum motel de uma cidade distante nos curtindo.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; Pra onde voc\u00ea vai? \u2013 ele como sempre me seguindo.<br \/>\n&#8211; Cansei&#8230; Vou voltar para minha antiga cidade \u2013 e eu com minha pressa.<br \/>\n&#8211; Como assim?<br \/>\nEle segurou meu bra\u00e7o antes que eu abrisse a porta do meu carro e ficou entre mim e a porta. Me livrei das amarras que eram as m\u00e3os dele e retruquei sem olhar nos seus olhos.<br \/>\n&#8211; Eu vou embora, Franz. Vou voltar pra o lugar de onde nunca deveria ter sa\u00eddo \u2013 isso era uma verdade. Se meu av\u00f4 n\u00e3o tivesse morrido, meu pai n\u00e3o teria vindo morar aqui e eu nunca conheceria ele.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o pode decidir as coisas assim!<br \/>\n&#8211; E como eu vou decidir? Quem vai decidir? E outra&#8230; Eu n\u00e3o quero ser apenas uma divers\u00e3o quando estou levando as coisas \u00e0 s\u00e9rio.<br \/>\n&#8211; Luis&#8230; Se voc\u00ea fosse uma divers\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos juntos h\u00e1 tr\u00eas anos.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o me venha com essa! \u2013 Fazia mesmo todo esse tempo? &#8211; O pior \u00e9 que agora tudo faz sentido&#8230;<br \/>\n&#8211; Do que voc\u00ea est\u00e1 falando? \u2013 eu tentava virar a cara pra o outro lado, mas ele me puxava pra encar\u00e1-lo.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea nunca reparou, n\u00e3o foi?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o reparei no que?<br \/>\n&#8211; Que nesses malditos tr\u00eas anos, voc\u00ea nunca me disse o que sentia por mim.<br \/>\n&#8211; E preciso? Eu estou com voc\u00ea n\u00e3o estou?<br \/>\n&#8211; Bem&#8230; Voc\u00ea exige isso de mim quase todos os dias! Mas nunca disse nada&#8230; Nem um \u201ceu te adoro\u201d que seja.<br \/>\n&#8211; E voc\u00ea vai embora por isso? Por eu nunca ter sido meloso? Meu Deus! Quanto drama! Est\u00e1 pior que mulher rejeitada.<br \/>\n&#8211; Vai se ferrar, Franz! \u00c9 claro que n\u00e3o vou embora por isso. Mas \u00e9 que eu cansei&#8230; Cansei!<br \/>\n&#8211; Do que voc\u00ea cansou? \u2013 ele me empurrava todas as vezes que eu tentava entrar no carro \u2013 Est\u00e1 cansado de mim? Me responde, Luis. Cansou de mim?<br \/>\nEu apenas queria entrar naquele carro, ou me abra\u00e7ar a ele e beij\u00e1-lo. Mas ele n\u00e3o me deixava entrar no carro e os olhos que nos cercavam naquela rua n\u00e3o me deixavam agir por impulso.<br \/>\n&#8211; \u00c9! Cansei de voc\u00ea! Cansei do teu jeito puritano de ser, cansei de ser um de seus brinquedos, cansei das discuss\u00f5es, das coisas que voc\u00ea diz, cansei de ser o dem\u00f4nio vindo dos infernos pra te atazanar, cansei&#8230; Cansei&#8230; Cansei dessa cidade e todas as coisas que ela me faz passar. Cansei da Amelie, do meu pai e seus&#8230; \u2013 eu olhei para o rosto dele e n\u00e3o pude acreditar \u2013 Por que voc\u00ea est\u00e1 chorando?<br \/>\n&#8211; Por que voc\u00ea faz isso comigo?<br \/>\n&#8211; Franz, eu&#8230; \u2013 um pouco perdido nas minhas pr\u00f3prias palavras e pensamentos, eu apenas queria abra\u00e7\u00e1-lo e fazer com que as l\u00e1grimas desaparecessem \u2013 Entra no carro!<br \/>\nEle me atendeu, entrando no carro.<br \/>\nDirigi t\u00e3o r\u00e1pido que em poucos minutos chegamos na estrada de barro, estacionei o carro perto de uma \u00e1rvore e ainda em sil\u00eancio caminhamos at\u00e9 a cachoeira. Sentamos perto da queda d\u2019\u00e1gua, e nos encaramos. Ele ainda estava com os olhos chorosos e eu com uma culpa imensa nos ombros.<br \/>\n&#8211; Por isso que vou embora! Porque d\u00e1 pra ver que eu n\u00e3o estou te fazendo bem. D\u00e1 pra ver que voc\u00ea se culpa e se flagela a\u00ed dentro por estar comigo.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o fa\u00e7o isso.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o? Ent\u00e3o porque queria essa manh\u00e3 se confessar e disse estar se achando impuro? E porque sempre quando algo te lembra a igreja, a b\u00edblia, seja o que for, voc\u00ea fica mal e esfria comigo? Porque sempre que eu tento falar o que eu sinto, ou demonstro de alguma forma, voc\u00ea me evita? Porque tem nojo e repulsa de tudo que se refere a n\u00f3s? Ser\u00e1 que n\u00e3o repara que a gente s\u00f3 v\u00ea que se ama quando a gente briga e faz as pazes?<br \/>\n&#8211; \u00c9 complicado pra mim estar com um homem.<br \/>\n&#8211; Nossa&#8230; Pra mim \u00e9 muito f\u00e1cil. Ter que me segurar todas as vezes que saio contigo. Ter que aguentar todas as vezes que te vejo sair com sua noiva e ficar me corroendo por saber que voc\u00ea est\u00e1 com ela e que \u00e9 com ela que voc\u00ea vai casar.<br \/>\n&#8211; Mas voc\u00ea pode ficar com quem quiser!<br \/>\n&#8211; Contra minha vontade? Eu quero apenas estar com voc\u00ea. Sou louco por voc\u00ea desde a primeira vez que te vi! N\u00e3o sinto vontade nem desejo de ficar com ningu\u00e9m, apenas voc\u00ea. Mas voc\u00ea n\u00e3o sabe o que quer. Me evita, me repudia, depois volta pra mim, joga a merda da sua f\u00e9 na minha cara. Me deixa na d\u00favida se esse sentimento t\u00e3o puro que pulsa em mim \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o ou uma maldi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; \u00c9 uma maldi\u00e7\u00e3o&#8230; Voc\u00ea sabe que \u00e9&#8230; Um homem nasceu para ficar com uma mulher&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A primeira vez que usei da minha for\u00e7a em alguma coisa, quebrei o meu bra\u00e7o. O que me fez ficar com uma esp\u00e9cie de trauma. Todavia, este trauma foi superado naquele instante. Pois com toda for\u00e7a que eu tinha eu soquei o rosto perfeito de Franz, fazendo ele cair no ch\u00e3o.<br \/>\nEle quando se levantou revidou o soco com a mesma intensidade que eu, mas eu n\u00e3o cai, reuni mais for\u00e7a para bater nele e nessa troca de murros e chutes n\u00f3s ca\u00edmos no ch\u00e3o numa luta desbravadora.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A primeira vez que eu tentei demonstrar a Franz o que eu sentia por ele, foi quando completamos um m\u00eas de caso. J\u00e1 que no dia que nos conhecemos foi o primeiro dia de nosso romance. Fiz um poema todo estruturado nas nossas sensa\u00e7\u00f5es, das poucas vezes que nos v\u00edamos e do fogo da paix\u00e3o que sent\u00edamos ao nos tocar.<br \/>\nQuando ele leu aquilo passamos duas semanas sem nos ver. Encontramos-nos novamente porque eu o percebi escondendo-se de mim. A explica\u00e7\u00e3o que ele deu foi a mais sincera poss\u00edvel. Ele achou o texto demon\u00edaco e que o que acontecera e se repetira n\u00e3o poderia voltar a acontecer. Ele era um homem e deveria formar uma fam\u00edlia e n\u00e3o cair em tenta\u00e7\u00f5es nos bra\u00e7os de outro homem. Quando a noite caiu, ele me abordou no meio da rua e me levou para um quarto que ele alugara e mais uma vez o poema se fez real.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; SEU MISER\u00c1VEL! N\u00c3O PODE ME DEIXAR AQUI!<br \/>\nOs gritos dele s\u00f3 faziam a adrenalina pulsar com mais velocidade nas minhas veias e me causar gargalhadas incontrol\u00e1veis. Deixei-o l\u00e1, para que caminhasse por quase uma hora para encontrar um p\u00e9 de pessoa.<br \/>\nQuando cheguei em casa, busquei arrumar as minhas coisas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Minha m\u00e3e veio da cozinha at\u00f4nita e assustada com o barulho que eu fiz. Quando me viu sujo de terra e sangue e com algumas partes da roupa rasgada ela deu um grito agudo.<br \/>\n&#8211; O que foi isso, menino?<br \/>\n&#8211; Nada demais m\u00e3e, s\u00f3 uma briga saud\u00e1vel.<br \/>\n&#8211; Nenhuma briga \u00e9 saud\u00e1vel!<br \/>\n&#8211; Fale isso pra os le\u00f5es da floresta.<br \/>\n&#8211; E pra que essas roupas todas?<br \/>\n&#8211; Estou indo embora?<br \/>\n&#8211; Vai viajar?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o&#8230; Vou pra bem longe daqui, m\u00e3e. Pra onde nada que esteja ligado a essa maldita cidade e seus moradores miser\u00e1veis possam me encontrar.<br \/>\n&#8211; Olhe essa boca dentro de casa menino! Eu n\u00e3o vou deixar voc\u00ea sair desta casa! Vou chamar seu pai e&#8230;<br \/>\n&#8211; M\u00e3e&#8230; Nada vai me impedir. Eu morro mas n\u00e3o fico nesta cidade. Ent\u00e3o por favor, n\u00e3o me fa\u00e7a ser grosso ainda mais com a senhora, nem ter de passar por cima do meu amor para obrig\u00e1-la a me deixar ir&#8230; Apenas me deixe.<br \/>\nMinha m\u00e3e me olhou assustada, mas soube naquele instante que nada mesmo iria me impedir. Pegou uma camiseta no ch\u00e3o, dobrou-a com o mesmo carinho que sempre dobrava e colocou-a na maleta em silencio.<br \/>\nQuando coloquei a \u00faltima maleta no porta-malas avistei de longe o semblante de Franz. Ele vinha na mesma dire\u00e7\u00e3o em que eu me encontrava. Estava ainda sujo, assim como eu, s\u00f3 que um pouco mais suado e aparentava ter corrido bastante.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o quero brigar com voc\u00ea. \u2013 me adiantei.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o vim aqui para brigar. Apenas pra te entregar isto.<br \/>\nUma folha de papel, suada, com sangue e suja de barro, amassada e desamassada. Eu peguei aquilo com receio. N\u00e3o fazia m\u00ednima id\u00e9ia do que significava.<br \/>\n&#8211; Por favor, n\u00e3o leia agora. Espere estar fora da cidade.<br \/>\n&#8211; Por que?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea saber\u00e1.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea sabe que isso me far\u00e1 ler antes.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o sei de mais nada. S\u00f3 que eu sei o que eu quero agora. Est\u00e1 ai escrito.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o se eu devo ler quando estiver fora da cidade \u00e9 porque&#8230;<br \/>\n&#8211; Apenas leia.<br \/>\nEle deu as costas e se foi. Eu entrei no carro e parti. Na velocidade em que eu dirigia nada, s\u00f3 outro carro, uma parede, ou um poste, poderiam me parar.<br \/>\nAssim que eu cruzei os limites da cidade, passando pela estrada de barro pr\u00f3xima \u00e1 pequena cachoeira eu abri o papel e freei o carro com o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 mil por hora.<br \/>\nEm letras garranchadas, mal feitas, borradas algo bem no estilo caipira de Franz eu consegui ler:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMeu amor \u00e9 t\u00e3o puro quanto a \u00e1gua dos montes perdidos.<br \/>\nO que eu sinto por voc\u00ea \u00e9 mais lindo<br \/>\nQue a aurora do dia fulminante<br \/>\nDos raios do teu olhar de tempestade.<br \/>\nSua face para mim poderia ser minha \u00fanica vis\u00e3o,<br \/>\nAssim como a escurid\u00e3o \u00e9 a do cego.<\/p>\n<p>Se todos os anjos do c\u00e9u forem id\u00eanticos a voc\u00ea,<br \/>\nQuero morrer queimado na chama deste amor.<br \/>\nPara purificar-me de meus pecados.<br \/>\nS\u00f3 para ser eterna, infinita, apaixonada e divinamente<br \/>\nRodeado por seu rosto.<\/p>\n<p>Se todos os dem\u00f4nios do inferno forem de sua imagem semelhan\u00e7a,<br \/>\nQuero me entregar a Lux\u00faria e ao Desejo que seu toque me despertam.<br \/>\nPara ser eternamente rodeado, abusado e castigado por ti.<br \/>\nE voc\u00ea? Ainda tem duvidas do que seu cora\u00e7\u00e3o sente pelo meu?\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8211; Puritano idiota&#8230; \u2013 eu disse entre l\u00e1grimas. Foram tantas as l\u00e1grimas que passaram pelo meu rosto que quase n\u00e3o percebi que abaixo da declara\u00e7\u00e3o dele havia um p\u00f3s escrito.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cP.s: Se n\u00e3o estiver cansado de mim, mas de minhas atitudes. E quiser viver tudo que nossa maldita ben\u00e7\u00e3o tem pra nos oferece, me espera?\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00fanica coisa que lembro ter dito a ele antes de nos beijarmos e mergulharmos na cachoeira, pra lavar nossos corpos e almas antes de fugirmos para o mundo afora, foi:<br \/>\n&#8211; Vou te esperar, perseguir e amar por toda vida&#8230; Essa \u00e9 minha bendita maldi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Luan Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0Sem d\u00favidas este \u00e9 um dos meus contos favoritos &#8211; e ambiciosos &#8211; que pude escrever.\u00a0Foi uma quebra de paradigmas utilizar a\u00a0incoer\u00eancia\u00a0do texto para\u00a0comp\u00f4-lo.\u00a0A presen\u00e7a do meu primeiro poema, &#8220;Pureza&#8221;, nele , o deixa mais especial. \u00a0At\u00e9 hoje ele me perturba e me deixa entorpecido. O amo! 06\/07\/2009 (&#8230;) Os turbilh\u00f5es de pessoas passavam [&#8230;] <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=160\">Read More <i class=\"icon-double-angle-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[4,7,11],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p9qsra-2A","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/160"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}