{"id":20,"date":"2014-03-28T03:18:20","date_gmt":"2014-03-28T03:18:20","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=20"},"modified":"2014-03-28T03:18:20","modified_gmt":"2014-03-28T03:18:20","slug":"fotografia-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=20","title":{"rendered":"FOTOGRAFIA &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" id=\"i-27\" class=\" wp-image aligncenter\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/03\/rose.jpg?w=433\" alt=\"Imagem\" width=\"277\" height=\"342\" \/><em>[Imagem: &#8220;Rose&#8221;, da s\u00e9rie &#8220;Blood&#8221; de<a href=\"http:\/\/www.markryden.com\/index.html\" target=\"_blank\"> Mark Ryden<\/a>.]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Postado no &#8220;RLS&#8221; dia\u00a003\/05\/2009<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>Mesmo sem querer ela se levantou. Olhou-se no espelho manchado \u2013 nem mesmo conseguia ver seu reflexo direito \u2013 e suspirou. L\u00e1 estavam as marcas da sua noite anterior. Tentou contra \u00e0 vontade arrumar os cobertores, veio ent\u00e3o a necessidade de ir ao banheiro.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>\u00c0 pequenos passos com as pontas dos p\u00e9s ela rumou para o c\u00f4modo de pequenos azulejos azuis. A cer\u00e2mica aos seus p\u00e9s era fria, g\u00e9lida e \u00famida, como estava a sua alma \u00e0quela hora da tarde.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>&#8211; Quanto tempo eu dormi? &#8211; ela questionou a si mesma. Presumira que o bastante para o sol chegar ao \u00e1pice. Viu no ch\u00e3o os peda\u00e7os de papel higi\u00eanico sujos com seu pr\u00f3prio sangue, a embalagem do calmante sem nenhum comprimido que fosse.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>Ela precisava descansar, precisava n\u00e3o sentir aquelas dores no seu corpo e esp\u00edrito, para n\u00e3o falar do orgulho. \u2013 Quem ele pensava que era? \u2013 ela sentiu \u00f3dio de si, ao saber em seu \u00ednfimo que tinha a resposta na ponta da l\u00edngua \u2013 Como ser\u00e1 que ele estava se sentindo? Ser\u00e1 que mais uma vez se arrependeria? Ou por mais uma vez a ignoraria por mais um, dois, ou ainda tr\u00eas finais de semana?<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>\u201c- Voc\u00ea est\u00e1 livre!\u201d \u2013 ele gritou antes de acertar seu corpo ca\u00eddo no ch\u00e3o com mais um chute \u2013 \u201cN\u00e3o era o que voc\u00ea queria? Sua liberdade?! Vai aproveit\u00e1-la&#8230; Sai daqui!\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>A lembran\u00e7a lhe do\u00eda mais que os hematomas. A verdade \u00e9 que ela n\u00e3o queria ficar livre. Estava presa demais \u00e0quela vida. Estava presa \u00e0quele ser que havia se tornado. Sua exist\u00eancia se resumia \u00e0quele ciclo vicioso de pancadas e brigas.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>\u201cEu n\u00e3o te quero! Estou com ela!\u201d \u2013 ele apontou para uma prostituta que com certeza tinha mais dignidade que ela pr\u00f3pria. Perguntava-se agora porque ela havia batido tanto na mulher. Mais uma vez a resposta veio na mesma hora: ele quem sentiria a dor, mas n\u00e3o sentiu, e ainda assim revidou.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>Ela j\u00e1 n\u00e3o sabia se era a pobre coitada, a v\u00edtima, ou a vil\u00e3 daquela hist\u00f3ria. Ela n\u00e3o queria saber. S\u00f3 queria t\u00ea-lo para ela pr\u00f3pria, mesmo com toda viol\u00eancia, ci\u00fames e possessividade que h\u00e1 alguns meses desapareceram. Apanhar por isto era gratificante, e at\u00e9 mais prazeroso do que apanhar por motivos min\u00fasculos.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>Qual era o limite? N\u00e3o havia mais limites para ela. Ela pr\u00f3pria era limitada. O que era certo e errado? Certo era lutar pelo que se quer, errado \u00e9 ter que sofrer tanto para isso.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><strong>P\u00f4s um pouco de base no rosto, voltou para a sala, sentou-se no sof\u00e1. Diante de seus olhos deveria haver uma televis\u00e3o, mas apenas havia uma estante com um porta-retratos quebrado umas milhares de vezes. Na foto, ela sorrindo como nunca mais sorrira, e ele t\u00e3o puro e perfeito como nunca mais fora. Qual foi a raz\u00e3o de toda a mudan\u00e7a? A resposta veio \u00e0 sua mente dilacerando sua alma e fazendo das l\u00e1grimas o sangue da mesma. \u201cEla\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Imagem: &#8220;Rose&#8221;, da s\u00e9rie &#8220;Blood&#8221; de Mark Ryden.] Postado no &#8220;RLS&#8221; dia\u00a003\/05\/2009 Mesmo sem querer ela se levantou. Olhou-se no espelho manchado \u2013 nem mesmo conseguia ver seu reflexo direito \u2013 e suspirou. L\u00e1 estavam as marcas da sua noite anterior. 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