{"id":207,"date":"2014-04-06T21:18:41","date_gmt":"2014-04-06T21:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=207"},"modified":"2014-04-06T21:18:41","modified_gmt":"2014-04-06T21:18:41","slug":"amar-verbo-tangente-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=207","title":{"rendered":"Amar, verbo tangente &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/6a-naked-www-umolharnu-blogspot-com.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-208\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/6a-naked-www-umolharnu-blogspot-com.jpg?w=300\" alt=\"6a naked www.umolharnu.blogspot.com\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Postado no RLS em 21\/05\/2011<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:right;\">\n<p>Cheguei a \u00edntima e desapercebida conclus\u00e3o \u2013 n\u00e3o querer ver o evidente \u00e9 um saco \u2013 de que realmente desisti do amor. N\u00e3o, eu n\u00e3o passei por decep\u00e7\u00f5es amorosas t\u00e3o desgastantes para a alma que a secou e pulverizou a parte de mim que espera algu\u00e9m chegar, me olhar e me fazer am\u00e1-lo, pois naquele instante me amou. Essa parte de mim grita, direciona minha vida por meios de h\u00e1bitos estranhos e que me cobrem o dia me fazendo pensar no quando e onde vou achar meu par.<br \/>\nAcho que foi mais uma sucess\u00e3o de fatos em que o \u201cagir sozinho\u201d em situa\u00e7\u00f5es que seria mais pr\u00e1tico e f\u00e1cil passar com algu\u00e9m foi lapidando em mim um orgulho pr\u00f3prio que custa a ser conquistado. Ora! Passei o inferno, que n\u00e3o creio existir, fiz conquistas, modelei todo um ser fant\u00e1stico, belo e dono de si apenas com um peda\u00e7o quebrado de espelho para me lembrar que nas noites mais escuras eu ainda tinha a mim. Custa acreditar que existe ou vir\u00e1 a existir uma pessoa que mere\u00e7a esta medalha em sua companhia.<br \/>\nTamb\u00e9m creio que escolhas no decorrer de um caminho, jornada, peregrina\u00e7\u00e3o sucumbem a um fato maior que com o tempo, apenas com o tempo, sacerdotes dedicados como eu juntam as evidencias e aceitam a realidade. Ter um of\u00edcio, seja ele qual for, resulta em abrir m\u00e3o de alguma coisa, algum ramo da vida. Ou isso, ou quase todos os sacerdotes que conhe\u00e7o \u2013 inclusive o pr\u00f3prio que escreve \u2013 est\u00e3o fazendo alguma coisa errada. E n\u00e3o s\u00f3 eles, aqueles empres\u00e1rios dedicados, aqueles homens e mulheres que se entregam de cabe\u00e7a \u00e0 sua profiss\u00e3o, abrem m\u00e3o da essencial vida pessoal.<br \/>\nConheci uma vez a hist\u00f3ria de um m\u00e9dico t\u00e3o fissurado no que ele considerava sua miss\u00e3o no mundo que ele abriu m\u00e3o da esposa, filhos, e por vezes, amigos. Salvar vidas era seu modo de viver, era sua realidade e sina. Algu\u00e9m pode dizer que ele est\u00e1 errado? Tudo bem, eu sou fiel ao pensamento de que tudo em demasia uma hora vai lhe prejudicar. Todavia, n\u00f3s, seres humanos, nascemos com uma quest\u00e3o em mente: qual o motivo de viver? E ser\u00e1 que encontrar a resposta n\u00e3o vai afogar outras aspira\u00e7\u00f5es de nossa v\u00e3 exist\u00eancia? Por isso \u00e0s vezes \u00e9 melhor viver na d\u00favida, do que agarrar uma certeza.<br \/>\nTer a d\u00favida \u00e9 como pescar por divers\u00e3o. Voc\u00ea passa horas esperando que o peixe morda sua isca. Quando ele finalmente o faz, voc\u00ea o vislumbra, at\u00e9 o toca, mas o deixa voltar para o seu habitat sem apreci\u00e1-lo com o instinto predador como fazem os outros tipos de pescadores, que saciam sua fome com o primeiro peixe que lhes surge. O peixe \u00e9 a resposta. E \u00e9 mais divertido busc\u00e1-la e deix\u00e1-la fugir, mudar e se apresentar das mais variadas formas uma, duas e mil vezes do que a cada vez a que a encontrar a devorar, devorar e devorar. No fim n\u00e3o haver\u00e3o mais peixes, e as certezas que voc\u00ea precisava tendo se esgotado, o que voc\u00ea far\u00e1 ent\u00e3o?<br \/>\nFalamos em entrar numa coisa de cabe\u00e7a, falamos em n\u00e3o exagerar nas a\u00e7\u00f5es, falamos que a espera \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para os problemas. No fim, essas s\u00e3o frases postuladas e de conhecimento geral que at\u00e9 servem num momento altru\u00edsta. Contudo, essas sabedorias acabam por se contradizer uma a uma. E surgem mais d\u00favidas do que \u00e9 certo fazer.<br \/>\nEu escolhi um caminho sacerdotal, passei nele coisas que muita gente enlouqueceria ou passaria a navalha nos pulsos. Moldei por meio dos Deuses, que eu tenho a consci\u00eancia da exist\u00eancia, toda uma vida que poderia ter sido destru\u00edda na primeira paix\u00e3o h\u00e1 tanto anos atr\u00e1s. E me criei sozinho. Tive pais, \u00e9 claro, mas eles ao seu modo e mente fechadas me deram uma liberdade que me sufocou e me deu o direito de criar minhas pr\u00f3prias r\u00e9deas e c\u00f3digo de \u00e9tica. Isso tudo me fez, inconscientemente calcular:<br \/>\n\u201cEstou \u2018bem\u2019 assim. Achei meu caminho, descobri minha ess\u00eancia, tenho minha liberdade e independ\u00eancia. Ser\u00e1 que algu\u00e9m suportaria viver com tanta certeza? Ser\u00e1 que este mesmo algu\u00e9m n\u00e3o me desviaria do que eu mais busco na vida que \u00e9 o meu autoconhecimento?\u201d<br \/>\nTranquei meu peito. Joguei a chave, algu\u00e9m distante a encontrou, e fez do meu peito moradia. E foi belo, foi lindo. Entreguei-me de cabe\u00e7a, exagerei no sentimento, esperei que aquilo fosse rec\u00edproco. Mas, n\u00e3o foi. Ainda assim mantive aquela hist\u00f3ria arraigada em mim. Preferia amar este ser distante que nunca iria me dar a oportunidade de um beijo, pois ao menos estava amando, do que viver em busca de algu\u00e9m por perto que oferecesse qualquer perigo ao meu caminho.<br \/>\nMas enganar o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma arte que os homens nunca v\u00e3o domar. Eu amava sim aquele ser, mas era uma lembran\u00e7a, n\u00e3o ele em si. E por vezes o meu cora\u00e7\u00e3o escolhia entre as mais dif\u00edceis historias uma nova paix\u00e3o. Acabava que eu n\u00e3o me entregava por ser fiel \u00e0 lembran\u00e7a, por n\u00e3o querer me abrir pra ningu\u00e9m, e porque faz parte do meu ser mesmo demorar a me abrir no amor. Vem tamb\u00e9m a quest\u00e3o de respeitar o livre arb\u00edtrio das pessoas. Me acho t\u00e3o&#8230; inst\u00e1vel e firme em minhas decis\u00f5es que presumo, numa atitude nobre, que \u00e9 melhor n\u00e3o deixar que a pessoa julgue se isto vai faz\u00ea-la feliz ou n\u00e3o. E novamente me tranco.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 timidez, n\u00e3o \u00e9 sele\u00e7\u00e3o. Apenas abri m\u00e3o do amor e ainda assim continuo o buscando todos os dias. Mas, n\u00e3o me permito, n\u00e3o me permito amar. Prefiro viver a solid\u00e3o, ter algumas certezas e manter algumas d\u00favidas dilacerantes. Abrir meu universo para uma pessoa poderia desencadear mudan\u00e7as no meu modus operandi que talvez eu n\u00e3o queira. Por isso, dos amores, os imposs\u00edveis, das paix\u00f5es as moment\u00e2neas. Das certezas as minhas, das d\u00favidas, minha perseveran\u00e7a.<br \/>\nE assim vou dan\u00e7ando solit\u00e1rio um piano melodram\u00e1tico e tirando e repondo peixes num lago de infinitas possibilidades.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luan Silva<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postado no RLS em 21\/05\/2011 Cheguei a \u00edntima e desapercebida conclus\u00e3o \u2013 n\u00e3o querer ver o evidente \u00e9 um saco \u2013 de que realmente desisti do amor. N\u00e3o, eu n\u00e3o passei por decep\u00e7\u00f5es amorosas t\u00e3o desgastantes para a alma que a secou e pulverizou a parte de mim que espera algu\u00e9m chegar, me olhar e [&#8230;] <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=207\">Read More <i class=\"icon-double-angle-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[5,13],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p9qsra-3l","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/207"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}