{"id":401,"date":"2014-04-09T02:50:12","date_gmt":"2014-04-09T02:50:12","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=401"},"modified":"2014-04-09T02:50:12","modified_gmt":"2014-04-09T02:50:12","slug":"quimica-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=401","title":{"rendered":"Qu\u00edmica &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/1932258_567298813365697_17146543_n1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-403\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/1932258_567298813365697_17146543_n1.jpg?w=233\" alt=\"1932258_567298813365697_17146543_n\" width=\"264\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">Postado no RLS em 18\/02\/2012<\/p>\n<hr \/>\n<p>Era t\u00e3o cedo, e ainda se fazia t\u00e3o urgente. Entre as carteiras brancas dispostas numa fila n\u00e3o t\u00e3o linear quanto deveria, estava ele e aquele. Uma distancia m\u00ednima de tr\u00eas lugares lhe mantinham afastados. Como o garoto esperto da sala, estava na segunda fileira, ouvindo tudo o que o professor dizia, mas vez ou outra olhava para tr\u00e1s e encontrava os mares azulados e profundos que eram aqueles olhos do fundo da sala.<\/p>\n<p>E ele lhe sorriu. Olhou rapidamente para os lados e disfar\u00e7ou o sorriso de meia lua com um pigarro, se realocou na banca e fingiu estar prestando aten\u00e7\u00e3o com uma cara fingida de gente s\u00e9ria. S\u00f3 pra lhe fazer rir.<\/p>\n<p>No quadro, v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e rea\u00e7\u00f5es com os mais diversos elementos chegavam a uma l\u00f3gica pratica e real que contradizia tudo o que estava se passando na sua mente. Tudo deveria ser mais simples, mais l\u00f3gico, mais linear. Assim como as fun\u00e7\u00f5es que a professora ditava numa ora\u00e7\u00e3o decorada por anos e anos de repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No seu caderno aberto, uma r\u00e9plica quase perfeita do quadro \u2013 um pouco mais organizada \u2013 com algumas notas no espa\u00e7o do cabe\u00e7alho e do rodap\u00e9. Escreveu sem nem perceber suas iniciais, fez mais alguns rabiscos sem perceber o que estava fazendo. E sempre sentindo aquela \u00e2nsia infame que lhe embrulhava a barriga, apertava o peito e for\u00e7ava a garganta.<\/p>\n<p>Estava amando? Era isto?<\/p>\n<p>Olhou novamente pra tr\u00e1s e viu Julio. Estava distra\u00eddo, olhando para a janela. Imaginou-se olhando aqueles olhos azuis e dizendo com todas as letras \u201cEu Te Amo\u201d. A sensa\u00e7\u00e3o do rid\u00edculo seria extrema, o medo da resposta (ou o sil\u00eancio) lhe encolhia e a certeza de que nunca teria cara nem coragem pra tal a\u00e7\u00e3o lhe deixou mais frustrado do que j\u00e1 estava.<\/p>\n<p>Decidiu esquecer. Mas n\u00e3o conseguia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">(&#8230;)<\/p>\n<p>Um Nerd? Porque um nerd? N\u00e3o tinha l\u00e1 nenhum preconceito por estar realmente atra\u00eddo por outro homem, nem por sentir uma vontade esmagadora de querer beijar aqueles l\u00e1bios de novo. Mas tinha que ser um nerd?<\/p>\n<p>Era incr\u00edvel como aqueles olhos mi\u00fados por tr\u00e1s daquela arma\u00e7\u00e3o de metal quadrada lhe faziam se sentir t\u00e3o inferior. Logo ele, visto por todos como o macho alfa, o cara, o bambamb\u00e3&#8230; Tinham mundos diferentes, indefinidos e no choque estavam ali apaixonados. Ele querendo ser mais inteligente para acompanhar as conversas e racioc\u00ednio do outro, que por sua vez, tentava provar que n\u00e3o tinha s\u00f3 a mente agu\u00e7ada, que poderia ser um bom jogador de futebol, se n\u00e3o trope\u00e7asse tantas e tantas vezes no pr\u00f3prio p\u00e9.<\/p>\n<p>Estava rindo sozinho de novo. Sentindo o desejo de t\u00ea-lo em seu colo, sentir o cheiro de lavanda do seu cabelo e lhe abra\u00e7ar marcando o espa\u00e7o e dizendo que todo aquele corpo, aquela vida, alma e cora\u00e7\u00e3o eram seus.<\/p>\n<p>Rabiscou discretamente um \u201cse olhar de novo, vou a\u00ed e te beijo\u201d, fez uma bolinha e atirou bem na cabe\u00e7a do outro. Ele olhou para tr\u00e1s, os olhos negros tal quais os cabelos encaracolados, o viu sorrindo e balbuciou \u201cleia\u201d. Ele pegou\u00a0o papel do ch\u00e3o, encenando uma raiva inexistente, pode visualizar os olhos dele passando sobre o seu garrancho e finalmente o viu olhar para tr\u00e1s. Um olhar sedutor que n\u00e3o combinava em nada com aqueles \u00f3culos, mas que lhe deram um autom\u00e1tico calor no corpo.<\/p>\n<p>Sorriu&#8230; Dizendo com os olhos que estava apaixonado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Luan Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postado no RLS em 18\/02\/2012 Era t\u00e3o cedo, e ainda se fazia t\u00e3o urgente. Entre as carteiras brancas dispostas numa fila n\u00e3o t\u00e3o linear quanto deveria, estava ele e aquele. Uma distancia m\u00ednima de tr\u00eas lugares lhe mantinham afastados. 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