{"id":407,"date":"2014-04-09T03:12:49","date_gmt":"2014-04-09T03:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/oespelhonegro.wordpress.com\/?p=407"},"modified":"2014-04-09T03:12:49","modified_gmt":"2014-04-09T03:12:49","slug":"androgenia-luan-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=407","title":{"rendered":"Androgenia &#8211; Luan Silva"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"870\" height=\"490\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4HgJ6xFXKaM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Postado no RLS em 23\/02\/2012<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um dos meus textos favoritos de Plat\u00e3o \u00e9\u00a0<em>o Symposium<\/em>\u00a0(O Banquete ou O Simp\u00f3sio). Descobri-o recentemente quando assisti ao filme \u201cHedwig and the Angry Inch\u201d. O filme narra a hist\u00f3ria de um(a)\u00a0<em>transexual<\/em>\u00a0que sonhava em ser um(a) famoso(a) cantor(a) de rock. Curioso, at\u00e9 para mim que vos escrevo, lidar com os princ\u00edpios da Androgenia a partir de um homem que abdicou o seu sexo para se tornar o seu oposto. Se originou de um famoso musical da Broadway.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentre os dramas e romances de Hedwig fui surpreendido com a musica \u201cThe Origin Of Love\u201d. A letra da m\u00fasica \u00e9 uma livre adapta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio \u201cSymposium\u201d, do trecho em que ele cita como se originou o Amor, as almas g\u00eameas e a eterna busca da sua contraparte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Admito que eu fiquei um pouco chocado com a interpreta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Foi uma mescla de interpreta\u00e7\u00e3o, s\u00edmbolos e id\u00e9ias, que foram de encontro com um profundo e relutante preconceito do qual eu me negava possuir, e que transcenderam minha mente e (re)abriram um t\u00f3pico importante no meu inconsciente e vis\u00e3o m\u00e1gica: Androgenia (do grego andr\u00f3s, aquele que fecunda, o macho, o\u00a0homem\u00a0viril; e guynaik\u00f3s,\u00a0mulher, f\u00eamea).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/back.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-408 aligncenter\" src=\"http:\/\/oespelhonegro.files.wordpress.com\/2014\/04\/back.jpg?w=300\" alt=\"back\" width=\"437\" height=\"179\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Segundo o texto de Plat\u00e3o, existiam tr\u00eas seres primordiais: o Sol, a Terra e a Lua. Esses tr\u00eas seres criaram seres esf\u00e9ricos com quatro bra\u00e7os e pernas e dois rostos em uma \u00fanica cabe\u00e7a. Esses seres, chamados d\u00edades, eram poderos\u00edssimos e inspirados em suas energias arquet\u00edpicas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>O Sol criou o ser com rostos e genitais masculino. A Terra fez semelhante, o ser tinha as mesmas caracter\u00edsticas, todavia era feminino. A Lua, por sua vez, criou um ser com um diferencial dos outros: as fei\u00e7\u00f5es e genit\u00e1lias eram um feminino e outro masculino.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Estes seres circulares (circulo=perfei\u00e7\u00e3o) povoaram o mundo, mas ao obterem no\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a e poder, acabaram por desafiar os Deuses e escalaram o Monte Olimpo para travar uma batalha com eles. Zeus irritado usou o poder de seus raios para dividir as d\u00edades ao meio \u2013 assim como a sua for\u00e7a \u2013 e as misturou e espalhou pelo mundo. Deixando registrada em suas almas a maldi\u00e7\u00e3o de que eternamente procurariam sua outra parte.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante deste \u2018descobrimento\u2019 me vi relendo mentalmente o mito cl\u00e1ssico de cria\u00e7\u00e3o adotado por v\u00e1rios pag\u00e3os e tradi\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas e citado em \u201cA Dan\u00e7a C\u00f3smica das Feiticeiras\u201d de Starhawk:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0\u201cSolit\u00e1ria, majestosa, plena em si Mesma, a Deusa, Ela, cujo nome n\u00e3o pode ser dito, flutuava no abismo da escurid\u00e3o, antes do in\u00edcio de todas as coisas. E quando Ela mirou o espelho curvo do espa\u00e7o negro, Ela viu com a sua luz o seu reflexo radiante e apaixonou-se por ele. Ela induziu-o a se expandir devido ao seu poder e fez amor consigo mesma e chamou Ela de &#8220;Miria, a Magnjica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O seu \u00eaxtase irrompeu na \u00fanica can\u00e7\u00e3o de tudo que \u00e9, foi ou ser\u00e1, e com a can\u00e7\u00e3o surgiu o movimento, ondas que jorravam para fora e se transformaram em todas as esferas e c\u00edrculos dos mundos. A Deusa encheu-se de amor, que crescia, e deu \u00e0 luz uma chuva de esp\u00edritos luminosos que ocuparam os mundos e tornaram-se todos os seres.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, naquele grande movimento, Miria foi levada embora, e enquanto Ela sa\u00eda da Deusa, tornava-se mais masculina. Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho deus do amor. Ent\u00e3o, transformou-se no Verde, coberto de vinhas, enraizado na terra, o esp\u00edrito de todas as coisas que crescem. Por fim, tornou-se o Deus da For\u00e7a, o Ca\u00e7ador, cujo rosto \u00e9 o sol vermelho, mas, no entanto, escuro como a morte. Mas o desejo sempre o devolve \u00e0 Deusa, de modo que Ele \u00e0 Ela circula eternamente, buscando retornar em amor.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Transcrito do livro \u201dA Dan\u00e7a C\u00f3smica das Feiticeiras\u201d.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Deusa citada neste verbete de Starhawk \u00e9 um ser primordialmente andr\u00f3gino, uno. Nem masculino nem feminino.\u00a0 Ap\u00f3s, e somente ap\u00f3s, reconhecer e amar sua pr\u00f3pria beleza \u00e9 que Ela passa por um processo de dicotomia e se faz a Deusa e o Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Seguindo a linha dos surgimentos, logo ap\u00f3s surgir os dois arqu\u00e9tipos masculino\/feminino e polaridades ativa\/passiva dentre outras polaridades contr\u00e1rias (dispensando a id\u00e9ia de \u2018bem e mal\u2019, que \u00e9 uma irrelevante divis\u00e3o racional baseadas em refer\u00eancias exteriores) surge a multiplicidade. Da transa dos Deuses nasce o tudo e suas m\u00faltiplas faces. A dan\u00e7a c\u00f3smica e uni\u00e3o sexual dessas duas for\u00e7as s\u00e3o a energia matriz de tudo o que existe.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fazendo uma analogia entre o mito pag\u00e3o e a teoria de Plat\u00e3o, chegamos ent\u00e3o a uma id\u00e9ia b\u00e1sica que \u00e9 justamente o principio andr\u00f3geno. Isto tamb\u00e9m se aplica \u00e0 psique humana. Pois, partindo do princ\u00edpio herm\u00e9tico da correspond\u00eancia \u201co que est\u00e1 em cima \u00e9 igual ao que est\u00e1 embaixo\u201d, o paganismo aceita que o micro se reflete no macro para existir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Num indiv\u00edduo, a androgenia se manifesta na sua espiritualidade energ\u00e9tica. A Akasha (esp\u00edrito) de um ser \u00e9 uma centelha do ser uno que deu origem aos Deuses. Logo, ela \u00e9 una e se transmuta e harmoniza entre as potencias bipolares (Animus e Anima descritos e defendidos por Carl Gustav Jung e seus sucessores). Nenhum homem ou mulher \u00e9 totalmente masculino ou feminina, eles se equilibram entre os aspectos espirituais dos seus p\u00f3los energ\u00e9ticos, formando assim o seu Ego.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ou seja, espiritualmente somos todos andr\u00f3ginos. O xamanismo de muitas culturas, em potencial, o n\u00f3rdico Seidr (l\u00ea-se Z\u00e1idri), faz suas viagens entre mundos utilizando um corpo astral andr\u00f3gino. O que cobra um trabalho energ\u00e9tico enorme do sacerdote ou sacerdotisa. O individuo deve trabalhar seu aspecto menos desenvolvido espiritualmente para que obtenha uma plenitude energ\u00e9tica que possibilita a cria\u00e7\u00e3o de um corpo para o Seidr.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Alguns vikings e outros povos da regi\u00e3o, seguidores dos Aesir e praticantes do Seidr, n\u00e3o entenderam bem a sabedoria pr\u00e1tica ancestral do povo Vanir que diz \u201cvestir um corpo andr\u00f3gino\u201d e se tornaram os\u00a0<em>Ergi.<\/em><em>\u00a0<\/em>Termo que define sacerdotes n\u00f3rdicos efeminados e\/ou com caracter\u00edsticas de mulheres para treinar sua feminilidade. O que pode ser considerado um erro j\u00e1 que a androgenia vai muito al\u00e9m de trejeitos, vestes ou incorpora\u00e7\u00f5es. Num n\u00edvel mais comum e psicol\u00f3gico, um homem trabalha sua androgenia quando se abre para a sua intui\u00e7\u00e3o, seu lado emotivo. Uma mulher quando age de modo decisivo, firme e especula o crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Num casal de indiv\u00edduos, voltamos \u00e0 Plat\u00e3o. A androgenia se manifesta na rela\u00e7\u00e3o Phalus\/\u00datero; Homem\/Mulher; Ativo\/Passivo que rege a sexualidade, procria\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. Temos o Homem e a Mulher, seres opostos que se completam tanto espiritualmente como fisicamente e desta rela\u00e7\u00e3o temos a perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Mas esta sincronia est\u00e1 presente no casal homossexual j\u00e1 que numa rela\u00e7\u00e3o homoafetiva ainda se predomina um lado mais \u201cativo\u201d e outro mais \u201cpassivo\u201d. Contudo, a reprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe, obviamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Muito cuidado neste ponto para n\u00e3o fazer confus\u00e3o entre os assuntos. Androgenia est\u00e1 muito al\u00e9m das sexualidades impostas pelo consciente humano. Um ato de androgenia \u00e9 quando ambos deixam de apenas projetar ou agir como um receptor de energia, e come\u00e7am a fazer as duas coisas simultaneamente. N\u00e3o \u00e9 necessariamente ser bissexual, ou homossexual ou heterossexual. Isto \u00e9 completamente invari\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 claro que os homossexuais trabalham sua androgenia f\u00edsica e psicol\u00f3gica diariamente. Eles rompem tabus e est\u00e3o mais aptos para qualquer tipo de atividade, pois transcendem o preconceito de que tal sexo deve fazer tais atividades e se privar de outras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na magia, o trabalho da androgenia \u00e9 um aspecto nosso que deve ser mais que trabalhado. Em termos de energias, em termos de atitudes e posturas e principalmente espiritualidade. Claro que h\u00e1 rituais e trabalhos m\u00e1gicos reservados para cada sexo em espec\u00edfico. Pois v\u00e3o depender mais do corpo do que da mente e do esp\u00edrito. Mas em outros rituais em que o corpo f\u00edsico for apenas um detalhe, o uso da androgenia nos faz tocar parte da plenitude de nossa ess\u00eancia. Traz-nos \u00e0 superf\u00edcie for\u00e7as e sabedorias reprimidas no inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A androgenia nos faz, como j\u00e1 citado, utilizar a nossa plenitude energ\u00e9tica. N\u00e3o h\u00e1 ativo, nem passivo, h\u00e1 apenas um fluxo continuo e \u00fanico de uma energia totalit\u00e1ria. Com esta plenitude mulheres conseguem entrar em contato com o Deus Ca\u00e7ador que n\u00e3o apenas povoa seus desejos, mas tamb\u00e9m o seu \u00edntimo ser. Homens conseguem gerar e criar coisas t\u00e3o especiais como os filhos que a Deusa M\u00e3e gera.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A magia sexual \u00e9 e sempre ser\u00e1 um meio forte de tratar da androgenia. Pelos desejos e prazeres ritual\u00edsticos, dos sentidos e das realiza\u00e7\u00f5es n\u00f3s despertamos essa energia de forma apurada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Androgenia \u00e9 uma marca da cultura pag\u00e3, deve ser trabalhada, vivenciada, explorada. Sem afetar, quando de vontade, a sexualidade do individuo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align:justify;\">Luan SIlva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postado no RLS em 23\/02\/2012 Um dos meus textos favoritos de Plat\u00e3o \u00e9\u00a0o Symposium\u00a0(O Banquete ou O Simp\u00f3sio). Descobri-o recentemente quando assisti ao filme \u201cHedwig and the Angry Inch\u201d. O filme narra a hist\u00f3ria de um(a)\u00a0transexual\u00a0que sonhava em ser um(a) famoso(a) cantor(a) de rock. 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