{"id":658,"date":"2014-08-26T00:50:44","date_gmt":"2014-08-26T03:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=658"},"modified":"2014-06-02T22:16:03","modified_gmt":"2014-06-03T01:16:03","slug":"cronicas-della-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=658","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas D&#8217;Ella &#8211; IV"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Verificar-e-renomear-57.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-659\" src=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Verificar-e-renomear-57.jpg\" alt=\"Verificar e renomear (57)\" width=\"323\" height=\"538\" \/><\/a><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: center;\">IV<\/h1>\n<p>Me visto como uma louca, gosto de cores e efeitos. Meu cabelo curto e picotado, negro como jabuticaba faz um contraste com a pesada por\u00e7\u00e3o de l\u00e1pis de olho que contorna minha \u00edris verde. Adoro vestidos verdes, pois eles combinam com meus cabelos ruivos intensos e minhas sardas discretas. Tamb\u00e9m dos brancos e amarelos, destacam minha cor negra. Adoro adornos, j\u00f3ias e bijuterias, assim como os mil e um perfumes que se tornam a express\u00e3o da minha ess\u00eancia em carne.<\/p>\n<p>Fico fascinada com meu pr\u00f3prio reflexo e minha beleza, por vezes me desejei, e por muitas vezes me satisfiz comigo mesma. Adoro dar-me presentes, fazer surpresas, tamb\u00e9m gosto de me ferir muitas e muitas vezes. Gosto de ouvir minha voz ao tapar os ouvidos. Fico cantando can\u00e7\u00f5es, ou conversando em voz alta ignorando o que a mente diz.<\/p>\n<p>Gosto do meu jeito masculino, gosto de ser vista como l\u00e9sbica, no entanto prefiro ser a patricinha, a garotinha mimada, aquele estere\u00f3tipo de mulher (nossa, que absurdo ousei falar!). Gosto de ser mulher, nas mais variadas e complicadas, extensas e uniformes maneiras de ser. Sou a abusada, a sorridente, sou a calada, a deprimente. Aquela que encanta, aquela que ati\u00e7a, sou aquela que n\u00e3o come massa e a que adora pizza.<\/p>\n<p>No fim, e no inicio que o prossegue, tenho um jeito pr\u00f3prio, uma variada forma de ser que n\u00e3o domino, n\u00e3o governo nem comando. Apenas sinto e sou. Brinco dizendo que sou metamorfa, sou de lua, e vivo num quarto crescente. Mas apenas sou a dan\u00e7a crescente das in\u00fameras polaridades do meu ser. Sim, sou as fases da lua, a dor e o sangue da menstrua\u00e7\u00e3o, sou meus filhos e minhas crias. Sou o espelho da minha m\u00e3e, n\u00e3o porque quis, mas porque ela idealizou isso pra mim. Sou a filhinha do papai, a garota do garanh\u00e3o, a prostituta do tra\u00edra, a mulher dos sonhos de algu\u00e9m, musa inspiradora, Am\u00e9lia que era mulher de verdade. Sou isso e sou aquilo. Sou tudo o que todas as mulheres foram. Fomos Deusas, Pecadoras, M\u00e3es, Ombro, \u00datero, Loucas e a Loucura. Fomos da queda \u00e0 ascens\u00e3o a partida, o caminho, a jornada e a precipita\u00e7\u00e3o. Fomos a pedra do meio do caminho, e a for\u00e7a que a atirou bem longe.<\/p>\n<p>Fomos o Amor, o mais profundo e derradeiro amor. Aquele que \u00e9 dado de cora\u00e7\u00e3o, aquele que nem dado \u00e9. J\u00e1 nasce com donos destinados a senti-lo e corrompe-lo. Fomos o Desejo, aquele proibido que todos j\u00e1 sentiram e n\u00e3o conseguem se livrar dele. Fomos a voz do mundo, a raz\u00e3o pra viver e a emo\u00e7\u00e3o pra morrer. Fomos vida e morte. Fomos e somos mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IV Me visto como uma louca, gosto de cores e efeitos. Meu cabelo curto e picotado, negro como jabuticaba faz um contraste com a pesada por\u00e7\u00e3o de l\u00e1pis de olho que contorna minha \u00edris verde. Adoro vestidos verdes, pois eles combinam com meus cabelos ruivos intensos e minhas sardas discretas. 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