{"id":661,"date":"2014-09-16T22:16:47","date_gmt":"2014-09-17T01:16:47","guid":{"rendered":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=661"},"modified":"2014-06-02T22:38:51","modified_gmt":"2014-06-03T01:38:51","slug":"cronicas-della-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=661","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas D&#8217;Ella &#8211; V"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Wanens-29.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-662\" src=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Wanens-29.jpg\" alt=\"Wanens (29)\" width=\"267\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Wanens-29.jpg 472w, https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Wanens-29-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 267px) 100vw, 267px\" \/><\/a><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: center;\">V<\/h1>\n<p>Li recentemente um livro sobre ritos e cren\u00e7as religiosas ao longo da hist\u00f3ria, assinado por Eliade. O livro em sua parte inicial citou v\u00e1rias vezes um assunto pertinente e que levanta muitas e muitas hip\u00f3teses sobre a rela\u00e7\u00e3o a dois. Aquela dualidade de passivo e ativo, que n\u00e3o est\u00e1 ligada necessariamente com o sexo ou qual dos dois faz a penetra\u00e7\u00e3o no parceiro.<\/p>\n<p>Falo de algo mais sutil, ligado a quem \u201ccomanda\u201d a rela\u00e7\u00e3o a quem supre ou n\u00e3o a seguran\u00e7a do outro. N\u00e3o quero abrir aqui a discuss\u00e3o sobre qual o sexo dominante (eu estou quase sendo redundante, mas \u00e9 necess\u00e1rio). O que quero falar \u00e9 que de uma forma de outra, aparente ou n\u00e3o um dos lados sempre \u00e9 o que \u201crege\u201d a rela\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 suas exce\u00e7\u00f5es e h\u00e1 casais que conseguem equilibrar tudo. Mas desde os prim\u00f3rdios, numa rela\u00e7\u00e3o a dois sempre h\u00e1 a Ca\u00e7a e o Ca\u00e7ador (a\u00ed que entra o livro).<\/p>\n<p>Imaginem os homens da Idade da Pedra, aqueles ainda selvagens, mas j\u00e1 despertando sua intelig\u00eancia e dom\u00ednio das artes. Ele ainda depende da ca\u00e7a e para ele isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa usual e um esporte, como \u00e9 hoje\u00a0em dia. A\u00a0ca\u00e7a era algo intimamente sagrado. Algo que mexia inteiramente com instintos e a sobreviv\u00eancia do individuo. Ca\u00e7ar um ser que lhe \u00e9 uma amea\u00e7a e conseguir dom\u00e1-lo ou abat\u00ea-lo foi por eras o rito de passagem mais praticado em diversas tribos e culturas.<\/p>\n<p>O homem enfrenta seus medos e usa de todas as suas habilidades e for\u00e7as para se encontrar com um ser desconhecido, que aparentemente \u00e9 perigoso, ou justamente o contr\u00e1rio, em que ele ter\u00e1 que desafi\u00e1-lo at\u00e9 sair como vencedor ou um morto. Dif\u00edcil dizer a posi\u00e7\u00e3o dos animais, mas deve ser uma afronta enorme.<\/p>\n<p>Voc\u00ea est\u00e1 no seu lugar, de repente um b\u00edpede idiota usando uma fantasia tosca de cervo morto, com uma lan\u00e7a, ou seja l\u00e1 o que for, vem e fica lhe provocando o tempo inteiro. Seu instinto selvagem n\u00e3o tem porque perder tempo, ele simplesmente vai pegar o mosquito zombeteiro sem d\u00f3 e trucid\u00e1-lo, se poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 um fato interessante da humanidade e que marca uma fase interessante do seu contato com a natureza. E marca mais ainda o nosso subconsciente, pois se pensarmos bem, todos os dias, somos ca\u00e7a e ca\u00e7ador, nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es. Principalmente a amorosa.<\/p>\n<p>Entramos num relacionamento com um ideal. Esperamos certa coisa, n\u00e3o da pessoa ou de algum estere\u00f3tipo, mas das raz\u00f5es provindas de nossas car\u00eancias. H\u00e1 pessoas com car\u00eancia de carinho, outras que sentem falta de ter algu\u00e9m a quem acariciar. H\u00e1 aqueles inseguros, h\u00e1 pessoas t\u00e3o determinadas e certas figuras que precisam ter algu\u00e9m para segurar na m\u00e3o e guiar. Tudo para provocar o encaixe gerado ap\u00f3s o conflito da \u201cca\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Exemplo: Fulaninha vai sair \u00e0 noite. Est\u00e1 se sentindo uma merda, um po\u00e7o de fei\u00fara e mal amada, no entanto re\u00fane \u00e0s amigas e faz uma transforma\u00e7\u00e3o em si, esperando mudar aquela situa\u00e7\u00e3o deprimente.<\/p>\n<p>Cicrano est\u00e1 em casa de bobeira, assistindo um filme de a\u00e7\u00e3o, onde na cl\u00e1ssica cena de sexo, percebe que quer transar, e talvez at\u00e9, transar com algu\u00e9m fixo. Ele re\u00fane suas melhores cantadas, coloca um perfume bom e uma roupa discreta e se transforma num homem charmoso que libera ferom\u00f4nio por onde quer que passe.<\/p>\n<p>Ambos se dirigem ao campo de batalha, ou melhor, \u00e0 boate. Procuram aquele ser que mais lhe agrada e d\u00e1 umas investidas, mas nada certo, nada inteiramente prazeroso. Mas de repente&#8230; O encontro dessas criaturas \u00e9 marcado por algumas trocas de olhares, sorrisos palavras e um entrosamento de id\u00e9ias e princ\u00edpios. Logo est\u00e3o trocando telefones, quando percebem que um quer algo que o outro tem a oferecer. Ou em outros casos, as l\u00ednguas se encontram numa dan\u00e7a excitante certificando que n\u00e3o importa se a insegura deu o primeiro passo, ou o seguro fez seu trabalho direito, apenas que um dos dois se cedeu a algo do outro e houve uma ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Normalmente o sexo masculino \u00e9 associado ao Ca\u00e7ador contempor\u00e2neo. Afinal, \u00e9 ele quem d\u00e1 as cantadas, ele que tem que ter atitude, ele que deve se chegar e fazer por onde ter a mulher. Mas ser mulher nessas horas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ser vista como um objeto \u00e9 a pior coisa que existe e tradicionalmente \u00e9 assim que s\u00e3o vistas as Ca\u00e7as. Meros pinos que servem pra divers\u00e3o. Mas n\u00e3o esque\u00e7am que o inverso acontece e com cada vez mais freq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p>E \u00e9 neste impasse que ocorre \u00e0 m\u00fatua atra\u00e7\u00e3o e a coisa \u201csagrada\u201d dos tempos antigos. Algo os conecta, s\u00e3o duas pessoas n\u00e3o querendo apenas gladiar com suas cantadas, charmes e anseios. S\u00e3o duas pessoas por um prop\u00f3sito incerto, um Estranho Conhecido prop\u00f3sito de querer mudar uma situa\u00e7\u00e3o com uma coisa corriqueira, querendo usar o caos, e a aparente ordem da situa\u00e7\u00e3o para vencer uma batalha sexual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V Li recentemente um livro sobre ritos e cren\u00e7as religiosas ao longo da hist\u00f3ria, assinado por Eliade. O livro em sua parte inicial citou v\u00e1rias vezes um assunto pertinente e que levanta muitas e muitas hip\u00f3teses sobre a rela\u00e7\u00e3o a dois. 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