{"id":802,"date":"2017-06-03T20:31:02","date_gmt":"2017-06-03T23:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=802"},"modified":"2017-06-03T20:31:02","modified_gmt":"2017-06-03T23:31:02","slug":"memorias-de-um-cacto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=802","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de um cacto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/59a979585176e42d2936cc09b45cd465.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-803 alignleft\" src=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/59a979585176e42d2936cc09b45cd465.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/59a979585176e42d2936cc09b45cd465.jpg 320w, https:\/\/oespelhonegro.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/59a979585176e42d2936cc09b45cd465-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a>&#8211; Celso, meu filho&#8230; Voc\u00ea pode vir aqui, por favor?<\/p>\n<p>O homem arregalou os olhos. N\u00e3o era sempre que o Sr. Souza tinha momentos de lucidez a ponto de se recordar do nome de um dos cuidadores. Soltou a parafern\u00e1lia que organizava e correu para o quarto do senhor de seus oitenta e poucos anos.<\/p>\n<p>O quarto era padronizado como tantos outros daquela cl\u00ednica. Paredes azuis, com o teto de gesso branco com detalhes arquitet\u00f4nicos gregos. A cama ficava ao centro do lado esquerdo, de um lado dela, os aparelhos para qualquer urg\u00eancia, do outro um criado mudo e um arm\u00e1rio com os pertences dos pacientes. Celso pensava como aquela era a \u00fanica parte do quarto onde havia qualquer sinal simb\u00f3lico de seus ocupantes. J\u00e1 fazia longos 5 anos, que o Sr. Souza estava ali. Mas o homem era simples e n\u00e3o tinha tanto apego a coisas. Algumas imagens bem pequenas de orix\u00e1s enfeitavam o criado mudo, junto com as flores que o velho homem recebia sempre. E que ele jurava que nunca eram pra ele, mas sim para seus guias e os donos de seu \u201cori\u201d. Um cacto de tamanho mediano, um quadro de sua juventude com v\u00e1ria pessoas que, por conta do Alzheimer nem se recordava direito, tr\u00eas livros \u2013 Kardec, Tolkien e Sparks \u2013 e o di\u00e1rio, junto \u00e0 fiel caneta.<\/p>\n<p>&#8211; Diga, seu Lucas! \u2013 Os olhos vivos e cintilantes que contrastavam com a pele negra se voltaram para ele. Se era poss\u00edvel olhos sorrirem, aquele senhor era a prova.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o fa\u00e7o ideia do que me deram ontem, mas hoje acordei com a mente borbulhando. Voc\u00ea trouxe seu computador?<\/p>\n<p>Fazia uns 5 meses que estavam trabalhando num projeto. O resgate das poucas mem\u00f3rias s\u00e3s que o velho ainda tinha. Haviam feito um acordo, que se ele n\u00e3o lembrasse de tudo, Celso poderia preencher as lacunas com suas pr\u00f3prias interpreta\u00e7\u00f5es e publicar o livro.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos estavam surpresos com a quantidade de detalhes que o homem confidenciava para o enfermeiro. Afinal, ap\u00f3s verificarem o material, acharam que era fruto da imagina\u00e7\u00e3o junto a fragmentos de mem\u00f3ria. N\u00e3o era poss\u00edvel que essas hist\u00f3rias pudessem ser verdade. O homem j\u00e1 estava num estado de esquecimento avan\u00e7ado. N\u00e3o recordava dos filhos, de muitos amigos, nem de nada sobre sua vida recente.<\/p>\n<p>&#8211; Trouxe, sim. O senhor quer que eu pegue?<\/p>\n<p>&#8211; Por favor, meu jovem. Lembrei de uma briga s\u00e9ria, que tem muito a ver com a nossa separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O contraste na lucidez e nos momentos de esquecimento era evidente at\u00e9 na voz. O velho era mais eloquente e, de fato, era outro que n\u00e3o aquele mais comum que vivia em estado let\u00e1rgico.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 um instante! Volto j\u00e1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do homem era confusa porque n\u00e3o haviam datas, ou uma linha do tempo coerente. Celso apenas percebia \u2013 e seus olhos marejavam toda vez que pensava sobre isso \u2013 que a mente do homem abriu m\u00e3o de todas as outras lembran\u00e7as para guardar em conchas no fundo do mar do seu inconsciente retalhos de uma hist\u00f3ria de amor.<\/p>\n<p>Aos vinte e tanto, havia conhecido um homem pelo qual se apaixonara. Tiveram v\u00e1rios anos de uma rela\u00e7\u00e3o de dar inveja. Mas que havia chegado ao fim, por alguma raz\u00e3o ainda n\u00e3o recordada. Com o idoso, o enfermeiro percebeu nuances sobre o amor que poucas pessoas tiveram.<\/p>\n<p>\u201c- \u00c9ramos plenos, um com o outro. Mas \u00e9 preciso saber que uma rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dois sempre ser\u00e1 a tr\u00eas. Voc\u00ea ser\u00e1 um, seu parceiro, ou parceira, outro e o que voc\u00eas t\u00eam&#8230; Esse sentimento que os une. Ser\u00e1 outra parte do relacionamento. E a rela\u00e7\u00e3o sempre ser\u00e1 boa enquanto duas partes cuidarem de uma. Sem isso, a plenitude mingua como a lua. E voc\u00eas voltam a ser dois. Ainda plenos, mas n\u00e3o totalmente.\u201d<\/p>\n<p>Foi esse pensamento que salvou seu noivado, redirecionou sua forma de lidar com sua noiva e mudou sua vis\u00e3o de mundo. Dias depois, o velho voltou a falar sobre plenitude. Dessa vez a criticando. Afinal, o que se pode desejar quando se \u00e9 pleno? \u00c9 preciso a insatisfa\u00e7\u00e3o, falhas e desconforto, para que se deseje algo. N\u00e3o ser pleno \u00e9 o que instiga vontades. E sem vontades a vida se estagna.<\/p>\n<p>\u201c- \u00c9 por isso que as pessoas tem medo de rela\u00e7\u00f5es. A plenitude se torna mon\u00f3tona com o tempo. Casos surgem&#8230; E qualquer situa\u00e7\u00e3o que provoque instabilidade tamb\u00e9m. Pois o ser humano precisa as incertezas da vida, da possibilidade de ser pra se sentir vivo. A plenitude \u00e9 quase como a morte.\u201d<\/p>\n<p>Era engra\u00e7ado como esses pensamentos surgiam para ele. Sempre acompanhados de hist\u00f3rias curtas. De como o seu namorado era um esp\u00edrito livre que abdicou por um tempo da liberdade para viver com ele.<\/p>\n<p>\u201c- Eu nunca fui um ser livre, Pedro. Sou negro, gay \u2013 Isso lhe deixa desconfort\u00e1vel? Certo, filho. \u2013 E sempre vivi \u00e0 margem da sociedade. Para n\u00f3s, qualquer \u00ednfima oportunidade deve ser agarrada com tudo. N\u00e3o podemos deixa-la passar. Porque n\u00e3o \u00e9 todo dia que um negro sente a plenitude de ser um cuidado por dois. N\u00e3o \u00e9 todo dia, que um negro, sequer tem liberdade de ser pleno por si mesmo. Fui um dos poucos a ter a sorte de viver o que vivi.\u201d<\/p>\n<p>Celso, que era Pedro, que era Marcos, que era Douglas e tantos outros, gravava toda sua conversa com o homem e as transcrevia quando chegava em casa. N\u00e3o se atrevia a colocar e nem tirar qualquer que fosse o detalhe. Duvidou at\u00e9 da pr\u00f3pria sexualidade ao se excitar com o homem narrando suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201c- Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 gay, filho. E todo seu potencial bissexual est\u00e1 guardado enquanto amar\u00a0 essa menina, n\u00e3o se preocupe. \u00c9 que quando o sexo vem acompanhado de amor, a coisa \u00e9 muito mais densa, pura e expansiva. A gente se excita pensando na pessoa comendo, se excita com o bafo dela, com o seu cheiro natural. N\u00e3o apenas com o corpo e a fric\u00e7\u00e3o entre eles. O que nos excita vai al\u00e9m. E todo mundo reconhece isso. Por isso voc\u00ea se excita. Seu corpo e esp\u00edrito reconhecem o prazer transcendental das minhas hist\u00f3rias.\u201c<\/p>\n<p>Fazia sentido.<\/p>\n<p>Celso voltou para o quarto com o laptop aberto j\u00e1 configurando o microfone. O homem estava mexendo no cacto, o recepcionou com o mesmo sorriso dos olhos.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 preciso estar atento aos sinais, meu jovem. Voc\u00ea lembra qual foi o primeiro presente que deu \u00e0 sua namorada? Lembra qual o primeiro que recebeu? O meu primeiro presente dele foi esse cacto. Obviamente, n\u00e3o este. Mas a matriz dele. A \u00fanica coisa que venho cultivando atrav\u00e9s dos anos. \u2013 O homem sentou na cama \u2013 Ele amava cactos. Ter me dado um foi um sinal importante para mim, e que afetou completamente a minha vida. Primeira porque foi quando ele me deu o sinal de quem ele era. Ele era como um cacto. Resistente \u00e0s situa\u00e7\u00f5es mais duras, ainda sendo fr\u00e1gil. Com uma apar\u00eancia bela, ornamental, mas com espinhos em evid\u00eancia que protegiam sua fragilidade. N\u00e3o me recordo o que dei a ele, mas creio que foi alguma coisa da nossa religi\u00e3o. Onde tamb\u00e9m deixei claro quem eu era.<\/p>\n<p>O enfermeiro olhou para as imagens. Era cat\u00f3lico n\u00e3o praticante, e n\u00e3o tinha muita cren\u00e7a na Umbanda, Candombl\u00e9 e o que quer que fosse. Mas pelo que os visitantes falavam de Sr. Souza, o homem era uma lenda para a sua religi\u00e3o e para o seu terreiro. Os feitos e fama dele chegavam a todos os cantos. Por isso, a doen\u00e7a foi um grande pesar n\u00e3o s\u00f3 para fam\u00edlia. Mas tamb\u00e9m para seus filhos-de-santo. Com as mem\u00f3rias dele estava desaparecendo uma tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; A nossa rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava no fim, de novo. Era percept\u00edvel isso. Eu sabia que algo estava errado. E j\u00e1 n\u00e3o bastava todos os espinhos dele fincados na minha pele, sempre apareciam mais. Amar cactos \u00e9 uma coisa dolorosa, meu jovem. N\u00e3o fuja deles, mas tamb\u00e9m n\u00e3o os abrace muito forte.<\/p>\n<p>Ele riu e seus olhos ficaram opacos. Sua alma n\u00e3o estava ali mais, estava de volta ao passado. E continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Num determinado momento. Que n\u00e3o sei se foi de loucura, ou de lucidez. Decidi acabar com tudo. Eu tinha uma certeza dentro de mim de que era o necess\u00e1rio a ser feito. E o fiz. Terminei tudo com ele. E pedi aos meus orix\u00e1s que me fizessem esquecer de tudo o que t\u00ednhamos vivido, todos os espinhos, todas as lembran\u00e7as, tudo o que sent\u00edamos um pelo outro. Pedi mais para atingi-lo com a minha dor, do que com a real inten\u00e7\u00e3o de esquecer. E o que os orix\u00e1s me deram?<\/p>\n<p>A pergunta era ret\u00f3rica. Pedir \u00e0s for\u00e7as divinas para esquecer de algu\u00e9m e esquecer de tudo, menos desse algu\u00e9m. A vida n\u00e3o era justa com esse homem.<\/p>\n<p>&#8211; Depois disso nos distanciamos. E era um mart\u00edrio viver daquele jeito. Por mais que eu tenha encontrado for\u00e7as para persistir, tudo me lembrava ele. Ent\u00e3o, antes que mentalmente voc\u00ea esteja julgando minha M\u00e3e Iemanj\u00e1 e meu Pai Oxal\u00e1 por terem me castigado. A coisa foi mais profunda. Dediquei-me por tanto tempo junto a nossa plenitude a cuidar dele, que tudo para mim lembrava ele. M\u00fasicas, perfumes, comidas, lugares, situa\u00e7\u00f5es. Mesmo palavras em determinados tons me traziam o cheiro do peito dele para as minhas narinas, os olhos dele refletindo os meus&#8230; Tudo tinha resqu\u00edcios dele. Ent\u00e3o eu tinha de perder tudo. Mas al\u00e9m de todas as coisas ao meu redor, tamb\u00e9m havia muito dele em mim. E para esquec\u00ea-lo, eu tamb\u00e9m teria de me esquecer de mim. Tive romances, paix\u00f5es e casos depois disso&#8230; Mas nada cumpria a promessa que todos me davam que com o tempo a gente esquece e que com o tempo o sentimento vira outro. E talvez fosse verdade. Mas o culto do sentimento virar outro era eu mesmo me tornar outra pessoa. O que \u00e9 ir\u00f4nico. As pessoas sempre nos dizem para n\u00e3o mudarmos por conta das pessoas que nos relacionamos. Mas para deixa-las partir, n\u00f3s temos que mudar.<\/p>\n<p>Ele deu uma parada, a voz estava embargada. Celso j\u00e1 tinha o j\u00e1 conhecido n\u00f3 no peito.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o eu esqueci de mim. Essa doen\u00e7a maligna me tomou o c\u00e9rebro, roubou todo o meu passado e hoje, acredito que nesses momentos que acordo e te falo essas coisas, quem te fala na verdade \u00e9 a terceira pessoa da plenitude. Porque ela nunca foi embora. E ela foi esperta, n\u00e3o se guardou apenas na minha mente. Mas em todo meu corpo, c\u00e9lulas e principalmente cora\u00e7\u00e3o. Pergunto quais as li\u00e7\u00f5es que vou pedir para os Esp\u00edritos de Luz me ensinarem na pr\u00f3xima reencarna\u00e7\u00e3o. J\u00e1 lhe contei que meu caso com o homem cacto \u00e9 de outras vidas n\u00e3o falei? Me pergunto quando \u00e9 que vamos finalmente acertar os pesos e medidas de nossa liberdade e de nosso comprometimento. Uma coisa \u00e9 certa, nunca mais pedirei para esquecer de nada. Porque assim poderei sofrer a partida dele sem medo, e talvez seja isso que fez com que ele se sentisse preso e partisse no final de tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Celso, meu filho&#8230; Voc\u00ea pode vir aqui, por favor? O homem arregalou os olhos. N\u00e3o era sempre que o Sr. Souza tinha momentos de lucidez a ponto de se recordar do nome de um dos cuidadores. Soltou a parafern\u00e1lia que organizava e correu para o quarto do senhor de seus oitenta e poucos anos. [&#8230;] <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/oespelhonegro.com\/?p=802\">Read More <i class=\"icon-double-angle-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[4,7],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p9qsra-cW","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/802"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=802"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":804,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/802\/revisions\/804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oespelhonegro.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}