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Postado no RLS em 10/10/2011


– Ain, amiga… O que eu faço agora? Ele ‘tá frio comigo. Não me procura mais. Mal me dá atenção. Acho que a nossa chama está se apagando.

– Amiga… Hello! Acorda, mulher. Você conheceu o cara faz uma semana. Só tiveram algumas conversas aleatórias e um café. Cuidado, viu? Você está colocando muita EXPECTATIVA nisso. (…) E só pra constar. Ele está com o status “ocupado” no MSN e com uma subnick que diz: “fazendo planilhas no trabalho. Qualquer coisa fala que quando eu puder, respondo.”

Atire a primeira pedra aquela pessoa que nunca alimentou certas esperanças e expectativas sobre determinado fato abstrato. Como, por exemplo, aquela entrevista de emprego que de todos os concorrentes você foi um destaque e tinha tudo pra ficar. Ou o caso das amigas acima que se deixou levar pela expectativa de um possível romance de um possível príncipe encantado.

É um vício comum do comportamento humano tentar prever os próximos acontecimentos, analisar toda a situação, se preparar e milimetrar suas ações para que tudo saia perfeito; para que tudo satisfaça aquilo que você espera que aconteça. A Expectativa, esteja presente na situação que for, normalmente é uma fera traiçoeira para quem a alimenta. Uma armadilha ardilosa para mentes brilhantes, corações destemidos e investimentos na Bolsa de Valores.

Todavia é quase impossível segurar os cavalos selvagens que tão bem figuram a maneira que somos surpreendidos pelas expectativas. Até tentamos não apostar todas as fichinhas naquele carinha legal que é tão receptivo e parece querer o mesmo de você, ou aquela garota que todos diriam ser impossível olhar pra você, mas de uma hora pra outra parece estar na sua. Somos tentados por aquele velho conselho “Quando for entrar em alguma coisa, entre de cabeça” e normalmente esquecemos de ver se na piscina que vamos mergulhar há o mais essencial para um mergulho de sucesso: a água.

O fato é que normalmente as expectativas vem acompanhadas por uma alegoria de escola de samba depressivo. Encabeçada pela ilusão (que logo se faz presente montando uma personalidade que não existe para aquela pessoa, ou uma realidade paralela para determinada situação), que é seguida pela decepção (algo sempre foge do nosso roteiro, nos surpreende ou nos desmotiva) e por fim a desilusão (o mundo é injusto e o universo está conspirando contra você). E é de praxe. Todos terminam cantando aquele refrão não tão querido: “Você abusou, tirou partido de mim, abusou…”

O incrível destes momentos causados pela expectativa é que eles realmente nos fazem um mal enorme. Nossa auto-estima vira protagonista de “O Chamado” e se esconde no fundo do poço; evitamos nos dar outra oportunidade – isso quando não entramos na “nóia” de aproveitar a vida ao seu máximo sendo (do verbo ser mesmo, não do estar) solteiro; temos a certeza que nossa vida afetiva é um seriado de humor estilo The Old Christine ou Adorável Psicose sem direito a final feliz na última temporada. O bom é que normalmente isso passa logo. É curto o espaço de tempo entre os momentos que você se vê à sombra da expectativa e em breve você estará de novo sendo vítima do seu ciclo vicioso.

Isso se você não se controlar. Evitar medidas e ações que normalmente nos deixa a mercê de até nos enganar dizendo firmemente para o espelho que estamos com os pés no chão. Por isso, querido leitor, seja discreto e não se empolgue demais em certas ocasiões, não tente ver coisas onde não tem e não faça a linha “Kátia, a cega” para evidências gritantes.

Ou então enraíze bem (e de verdade) os seus pés como se fosse uma sequóia e deixe-se levar pelo ritmo da maré. Você ao menos terá uma base mais sólida, sem tantos dramas desnecessários quando as coisas começarem a desandar…


Luan Silva