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Postado no RLS em 19/07/2011


Talvez seja este o problema que tanto assola a existência humana. Eles ainda não entraram em comum acordo com as Nornas, nem com as forças caóticas de Nerthus, as ocultas de Ran, a da sociedade que Prawana nos presenteia, os caprichos de Mardoll, as diretrizes de Freyr, os deveres de Gejfion, os valores de Gulltveig, os desejos de Nehallenia e as passagens de Rowana.

Sentem-se todos atolados de deveres, responsabilidades, compromissos, lazer… E com certa razão.

Não é fácil, e está longe de ser, um bruxo em pleno século XXI. A Natureza bruta a qual os espíritos virtuosos, ou não, adoravam e mantinham viva em seus corações, está cercada da artificial face humana que o mundo é obrigado a usar como máscara. Sentindo a cada era, ano, meses, dias e horas a sua destruição ficar mais acentuada, mais certa.

A sociedade em que vivemos hoje, não fica para trás, tantas máscaras, regras, diretrizes, preconceitos, tanta moral, segmentos, racionalismo… Que me pergunto onde está o anarquismo? A Loucura? A força selvagem que fez do homem um ser real? Tudo isso foi substituído pela sanidade que aprisiona as nossas maiores e melhores qualidades, pela razão cega que nos faz enxergar o mundo em nossas mãos, mas faz com que percamos o que há de mais importante: nossa essência.

As obrigações impostas pelos impostos, contas e a dignidade de ser um cidadão nos faz vez ou outra querer jogar tudo pra o alto e sair correndo nus pelas matas como nas Caçadas de Freyr. Nossa busca é a liberdade, que muitos confundem com independência, que outros chamam de utopia, e que os Deuses chamam de energia divina, eles mesmos.

Vivemos em busca das dádivas das nove Ilhas porque ao nascer ficamos livres do útero seguro da Deusa, mas nos entregamos às correntes que os povos de Eras e Eras atrás nos deixaram. Fardos pesados, prazerosos, necessários, dispensáveis tão simples de carregar se tornam os problemas complexos que balançam e por vezes destroem as bases de nossas prioridades, bagunçando nossa vida, ego, autoestima e por fim tudo que nos cerca.

Nos falta a organização que a anarquia e a loucura, assim como o caos deixam ocultas nas mechas negras de Ran sob o véu de Nerthus. Pensamos demais em organizar a vida que às vezes nem colocamos em prática o primeiro pensamento. Nem sequer o testamos. Deixamos as ondas partirem para que mais tarde quando a maré encher novamente as nossas encostas recebam a fúria do mar.

Contudo, perdemos tempo. Tentando seguir padrões e estereótipos quando a vida seria mais proveitosa e digna se despertássemos, todos, quem realmente somos, longe das amarras sociais e temporais. Jogamos o Senhor Tempo fora quando poderíamos tê-lo como aliado para todas as nossas obrigações de cidadão, humano, sacerdote e Deus. A vida seria mais longa e prospera se todos fizéssemos como diz o sábio Caetano: “Tempo, tempo, tempo, tempo, faço um acordo contigo…”


Luan Silva