Sentindo o vento forte e úmido agitar seus cabelos, ela abriu os braços como se fossem asas douradas e flamejantes e saltou do alto da queda d’água. A adrenalina correu por todo o seu corpo fazendo-o se eriçar e formigar pelos breves segundos em que sua matéria se desfazia e apenas seu espírito liberto vagou junto com a forte enxurra. As águas em espuma formavam um belo e límpido arco-íris que mais parecia a antiga ponte germânica em que seus Deuses desfilavam entre mundos.
A sacerdotisa se fez vento e como uma lança, perfurou o corpo do rio. Sumindo por uns instantes na água azul. logo depois entre as borbulhas ela surge com seus olhos verde-esmeralda e seu sorriso incandescente. Entre as árvores ele a observava absorto. Nunca vira mulher mais bela. Mesmo entre as Moças da Lua, as quais ele já admirava.
Pensou em se despir e adentrar nas águas junto a ela, mas ele sabia que tamanha beleza prenunciava um perigo ainda maior. Foi se afastando aos poucos como uma fera que desiste de atacar a presa indefesa.Agarrou com força a bainha de sua espada e mais uma vez sentiu o conflito: devia ou não matá-la?
Ela saiu das águas, quase nua, e colocou aquele vestido azul, quase branco, com pedras cristalinas enfeitando-o e dando a ele um tom mais luxuoso. Ele pôde ver o colar de prata dela brilhar tanto quanto o sol refletido nas águas. E a viu caminhar e se esconder entre as árvores com a graça e pompa de uma fada. Sentiu o peso da cruz que passaria a carregar e as chagas de seu arrependimento por deixar a ninfa pecadora sobreviver.
