“Procuro uma coisa que não tem nome. Já a encontrei na água de algumas corredeiras, no topo e nas encostas de certas montanhas, nas nuvens de alguns ares, no mato fechado que guarda alguns vales. Já a encontrei várias e várias vezes – só não encontrei seu nome. Voltarei à água, ao ar, à terra, voltarei até descobrir.”
Este texto não é meu, mas de alguma forma diz quem sou e o que faço. – Porque será? – Está gravado num frasco de perfume de uma marca conhecida. Que eu só comprei por conta do verso.
Tenho que dizer que acho que nasci num dia qualquer, sem coisas especiais para comemorar, sem ser a escolhida de alguma profecia antiga, sem ser uma das poucas agraciadas com a riqueza… Sinceramente… Eu não tenho nada na vida.
Do momento em que nasci até agora. Nem tenho sequer o meu próprio rosto. Para mim ele é estranho às vezes. Me pego fitando o espelho e tendo certeza que aquela mulher não sou eu, e tento por instinto achar em mim algo que se encaixe naquela imagem sem graça.
Mas que se foda!
Aprendi que assim como o que busco, eu não sou as roupas que visto, um numero de identidade, um nome e com certeza este corpo. Estou além, sou algo mais transcendental. Já existiram várias como eu, e vão existir outras que não são cópias, ou imitações baratas. São o reflexo mais puro da minha essência, da minha alma, do que eu realmente sou. Do que o espelho não capta com facilidade…
Não sou nada, não tenho nada… Mas eu consigo me fazer o tudo e ter o tudo. Pois eu sou… Eu! O que mais me satisfaz? O que mais me deixa completa? Plena? Nem mesmo o Estranho Conhecido!
Quando nascemos somos forçados a viver dentro de um planejamento, com metas e regras rígidas e quase imutáveis. Somos o rosto, o numero, somos o filhe de fulano, o irmão de sicrano… Somos porra nenhuma! Nós somos um sopro divino, uma divindade em ascensão que parece ter esquecido todas as coisas que consegue fazer. Somos o grito de liberdade. Somos… AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Somos um grito louco de amor, uma chama que só se apaga quando esquece que não deve-se ter regrinhas para se viver. Pois vida, com esta memória e este momento, só teremos esta. Não pense que você vai ter outra chance de dizer pra sua namorada tudo que ela precisa ouvir. Nem que deve perder um ménage à trois. Faça loucuras, sinta-se vivo, também não faça, pois às vezes loucuras matam, na maioria das vezes alias. Mas por qualquer divindade que nos ouça neste momento. Este é um apelo de um coração apertado. Esteja vivo.
Não se preocupe com nada, só com o que a porra do seu coração diz, ele nunca erra, nós que o culpamos por nossos fracassos! Faça e sinta aquele ímpeto de beijar a pessoa amada enquanto ela dança e parece te provocar. Beije-a antes de ela ir e te olhar exigindo um beijo. Ria com ela, faça o que você puder para estar com ela. Grite que a ama, mesmo num sussurro em seu ouvido que ecoará nos corações de ambos para o resto das suas vidas…
Sabe aquele amigo que você realmente ama? Beije-o. Onde quiser, não importa a reação dele. Aproveite cada momento, aproveite cada instante dos sorrisos dos dois. Por uma piada boba, por um ter caído, por uma palavra errada, ou uma linha de raciocínio maluca. Apenas… Use aquele sentimento que a palavra amor exemplifica bem, mas está realmente longe de ser o que ele é. Pois aquele sentimento único é tão… Nu, tão desmascarado, tão selvagem, louco, explosivo, anarquista, mais uma vez louco.
E chore, ria, gargalhe, goze, fique sem saber como agir quando for preenchido por tal sentimento, quando você for preenchido pelo que lhe deixar completamente desligado de tudo, mas com este tudo inteiramente ligado a você. Pois nesse momento vá para o inferno a filosofia e mesmo qualquer religião… Você está lá e Deus está com você, em você.
Procuro uma coisa que não tem nome, procuro a mim mesma e a sensação pela qual nasci para sentir: o Estranho Conhecido.
